Esta aula em 136 minutos: o índice

Atualizado em set/2026. Quem te mostra isso aqui é o Universo Narrado, com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube e quase 2.000 aulas gratuitas de Física e Matemática. Esta página é o capítulo de Análise Combinatória e Probabilidades da aula, em texto, com o minuto de cada passo. Sem resumo de legenda: é a explicação do professor, editada.

No vídeoO que acontece
03:21:00Início: fila de oito pessoas com condições
03:24:00Ana e Bruna juntas: bloco, 2!·7!
03:30:00Contagem indireta: total menos o que não se quer
03:35:00Resultado da fila: 10080 − 2880 = 7200
03:41:00Moedas: probabilidade condicional e a falácia dos 50%
03:48:00Árvore de probabilidades: a moeda é honesta com 1/3
04:00:00Problema de Monte Hall: trocar de porta dá 2/3
04:12:00Malha quadriculada: Ana e Bruna se encontram?
04:25:00Em 12 passos: Ana dá 8 e Bruna dá 4
04:43:00Digressão de física: mudança de referencial e distância mínima
05:07:00Cinco dados: quantos números distintos são anotados
05:25:00P2 e P3: dois e três números distintos

Fila de oito pessoas: Ana e Bruna juntas, Carlão e Daniel separados

O capítulo abre com um bloco de análise combinatória e probabilidade, começando por um problema de aquecimento: formar uma fila com oito pessoas, entre elas Ana, Bruna, Carlão e Daniel, de modo que Ana e Bruna fiquem juntas e Carlão e Daniel fiquem necessariamente separados. A pergunta é de quantas maneiras a fila pode ser formada.

O professor sugere começar por uma versão simplificada, esquecendo Carlão e Daniel e exigindo só que Ana e Bruna fiquem juntas. Para manter duas pessoas juntas, elas são tratadas como um bloco. O erro mais comum é contar apenas o bloco e esquecer que cada uma das outras pessoas também ocupa a sua própria "caixa": o bloco de Ana e Bruna mais as outras seis pessoas dão sete caixas, e permutar sete caixas distintas resulta em 7! arranjos. Dentro do bloco, as duas ainda podem trocar de lugar (AB ou BA), o que multiplica por 2!. Logo, o número de filas com Ana e Bruna juntas é 2!⋅7!=10080.

Em seguida o professor mostra por que o problema completo exige organização. Ana e Bruna podem estar juntas ou separadas, e Carlão e Daniel também. Os quatro ramos (juntas e juntos, juntas e separados, separadas e juntos, separadas e separados) esgotam todas as filas possíveis: não existe um quinto caso. O ramo desejado é "Ana e Bruna juntas, Carlão e Daniel separados".

Ele observa que o termo "separar em casos" talvez nem seja o mais exato; o que se faz é analisar todas as situações possíveis e escolher a que interessa. Como verificação, a soma dos quatro ramos tem de resultar em 8!, e o professor deixa esse cálculo como sugestão ao espectador. Se a soma não fechar, algum ramo foi calculado errado.

▶ Ver este trecho no vídeo (03:21:00)

Contagem indireta: total menos o que não se quer

Calcular diretamente "Carlão e Daniel separados" é trabalhoso. Não há raciocínio de bloco, as duas pessoas podem ocupar muitos pares de posições e seria preciso olhar caso a caso. A solução é a contagem indireta (ou complementar): em vez de contar o que se quer, conta-se o total e subtrai-se o que não se quer. Como ficar junto é fácil de contar, ficar separado é igual ao total menos o juntos.

O professor aplica a ideia dentro do ramo em que Ana e Bruna já estão juntas, que tem 2!⋅7!=10080 filas. Dentro dele, conta as filas em que Carlão e Daniel também ficam juntos: agora há dois blocos (Ana e Bruna; Carlão e Daniel) mais as outras quatro pessoas, ou seja, seis caixas. Permutam-se as seis caixas e cada bloco ainda se permuta internamente: 6!⋅2!⋅2!=720⋅4=2880.

A diferença dá o ramo procurado: 10080−2880=7200 filas com Ana e Bruna juntas e Carlão e Daniel separados. O professor destaca um cuidado: a subtração é feita dentro do ramo, e não a partir do total 8!, porque já se está dentro do ramo em que Ana e Bruna estão juntas. Subtrair apenas os casos de Carlão e Daniel juntos deixa exatamente os casos em que eles estão separados.

Sobre quando escolher esse caminho, ele afirma que não existe receita mágica; o discernimento vem de ter errado antes. Quem já tentou contar "separados" na mão e se perdeu aprende que "juntos" é o caminho curto. O erro típico é ficar enroscado em casos (aqui, ali, acolá) durante muito tempo, em vez de contar o complementar. A mesma lógica vale em probabilidade: calcular os outros casos e tirar de 100%.

▶ Ver este trecho no vídeo (03:30:00)

Probabilidade condicional: por que uma informação nova muda a resposta

Antes de entrar no assunto, os dois fazem uma digressão sobre o teorema da bola cabeluda: numa esfera coberta de pelos é impossível penteá-los todos sem sobrar um redemoinho, o que ligaria a topologia à característica de Euler da esfera (V+F=A+2). Mas o tema do bloco é outro: a probabilidade condicional, apontada pelo professor como uma das partes que mais assustam os alunos, por ser um pouco contraintuitiva e mais subjetiva.

O problema: uma caixa tem três moedas. Duas são honestas (cara e coroa com 50% cada) e uma tem duas caras. Uma moeda é retirada ao acaso e lançada duas vezes, sem que se saiba qual é. Sai cara nos dois lançamentos. Qual a probabilidade de a moeda retirada ser honesta?

A resposta imediata é 2/3, e ela é razoável se não houvesse a informação dos lançamentos. O professor chama atenção para outro raciocínio falho, o de dizer que a probabilidade é 50% porque "ou acontece ou não acontece", como quem diz que a chance de ser assaltado é de 50%. Dois resultados possíveis não significam resultados igualmente prováveis.

Para perceber que a informação nova muda a probabilidade, ele recomenda pensar em casos exagerados. Se a moeda fosse lançada 100 vezes e desse 100 caras, seria quase certo que a moeda é a viciada, e a chance de ser honesta cai para quase zero. Se fosse lançada uma vez e desse coroa, a moeda seria 100% honesta. Com duas caras, a probabilidade de ser honesta continua possível, mas já não é 2/3. O professor diz que existem fórmulas, mas não recomenda usá-las: recomenda montar uma árvore de possibilidades.

▶ Ver este trecho no vídeo (03:38:00)

A árvore das moedas: ramos, multiplicação e a resposta 1/3

A árvore começa pela escolha da moeda. Como as duas honestas são distintas, o professor desenha três ramos de probabilidade 1/3 cada: duas moedas honestas e uma desonesta (que ele brinca de chamar de "corrupta"). Poderiam ser juntados os dois ramos honestos num único de 2/3, sem problema.

De cada moeda honesta saem quatro ramos para os dois lançamentos: cara-cara, cara-coroa, coroa-cara e coroa-coroa, cada um com 1/2⋅1/2=1/4. A probabilidade de chegar a cada um é 1/3⋅1/4=1/12. Da moeda desonesta sai um único ramo, cara-cara, com probabilidade 1/3⋅1=1/3=4/12. A multiplicação ao longo do ramo vem do princípio fundamental da contagem: dois eventos que devem acontecer, um depois do outro, têm probabilidades multiplicadas.

O professor ainda oferece uma visualização geométrica. Divide-se um quadrado em três faixas iguais (as três moedas) e cada faixa em quatro partes (os resultados); cada pedaço é 1/12 do total. A faixa da moeda viciada tem os quatro pedaços preenchidos com cara-cara.

Como um comentário à parte, a probabilidade de sair duas caras, sem informação nenhuma, é a soma dos ramos favoráveis: 1/12+1/12+1/3=6/12=1/2.

No problema original, a informação de que saíram duas caras reduz o espaço amostral aos seis quadradinhos (dos doze) em que isso ocorre: um em cada moeda honesta e quatro na desonesta. Só dois desses seis pertencem a moedas honestas, logo a probabilidade é 2/6=1/3. O denominador é o conjunto compatível com a informação; o numerador é o que se quer. A probabilidade cai de 2/3 para 1/3 porque duas caras tornam a moeda viciada duas vezes mais provável. O professor liga isso a apostas e contagem de cartas, nas quais cada informação nova altera as probabilidades.

▶ Ver este trecho no vídeo (03:48:00)

Problema de Monte Hall: por que trocar de porta dobra a chance

O professor apresenta o problema clássico de probabilidade condicional. Há três portas: atrás de duas não há nada e atrás de uma há um prêmio de um milhão de dólares. O jogador escolhe a porta 1, com chance inicial de 1/3. O apresentador, que sabe onde está o prêmio, abre uma das outras duas portas e mostra que está vazia. Em seguida pergunta se o jogador quer manter a escolha ou trocar pela porta restante.

O erro típico é achar que sobraram duas portas e que cada uma tem 50%, o mesmo raciocínio do "ou acontece ou não acontece". Na verdade, trocar dá 2/3 de chance de ganhar, o dobro de manter.

Para convencer, o professor recorre de novo a um caso exagerado: 100 portas, um prêmio e o jogador escolhendo a porta 1, que tem chance de apenas 1/100. O apresentador abre 98 portas vazias, deixando só a porta escolhida e mais uma. A porta escolhida continua com 1/100, porque nada mudou sobre ela. Toda a probabilidade das 98 portas abertas (e da restante) acumula na outra: 99/100.

A segunda explicação enumera os casos para a estratégia "vou trocar". Se o jogador escolheu a porta premiada (probabilidade 1/3), o apresentador abre qualquer uma das outras e a troca faz o jogador perder. Se escolheu uma das duas portas vazias, o apresentador é obrigado a abrir a outra vazia, e a troca leva ao prêmio. Em dois dos três casos o jogador ganha trocando, o que dá 2/3. Com 100 portas, perde-se só quando se acertou de primeira (1/100) e ganha-se em 99 dos 100 casos.

O professor comenta que o problema foi popular num programa de TV americano e que poucos participantes trocavam. A lição é a mesma do problema das moedas: informação nova no sistema altera a probabilidade.

▶ Ver este trecho no vídeo (04:00:00)

Malha quadriculada: caminhos como anagramas e a restrição de passar por um ponto

O professor chama o problema seguinte de mistura de um caso clássico com uma novidade que ele introduziu. Uma malha quadriculada de 6×6 tem Ana saindo de uma extremidade, andando só para cima ou para a direita, com igual probabilidade quando há duas opções. Bruna sai da outra extremidade, andando para a esquerda ou para baixo, e Ana tem o dobro da velocidade de Bruna. Pergunta-se a probabilidade de elas se encontrarem.

Antes do problema completo, ele revisa o caso clássico em malha reduzida: de quantas maneiras Ana vai do ponto de partida A até o ponto B, andando só para cima (C) ou para a direita (D)? Se B está 4 passos acima e 3 à direita, todo caminho tem exatamente 4 C e 3 D, em alguma ordem. Cada caminho corresponde a uma única palavra, e cada anagrama dessa palavra é um único caminho: a correspondência é biunívoca. O número de caminhos é então o de anagramas de sete letras com repetições de 4 e de 3:

$7!4! 3!=35.$

O professor acrescenta uma restrição: o caminho tem de passar pela casa de Paulo (P). O problema se divide em duas partes independentes, de A até P e de P até B, e as quantidades se multiplicam. De A até P são 3 C e 1 D, com 4!/3!=4 caminhos; de P até B são 2 D e 1 C, com 3!/2!=3 caminhos. Logo, são 4⋅3=12 caminhos passando por P. Se a pergunta fosse quantos não passam por P, seria 35−12=23, de novo a contagem complementar.

O professor diz que, em termos de combinatória, isso é o que o aluno precisa saber para o problema principal. O resto é decidir onde as duas se encontram.

▶ Ver este trecho no vídeo (04:12:00)

Onde Ana e Bruna se encontram: 12 passos, a reta x + y = 8 e 924 formas

O ponto central é que as duas andam ao mesmo tempo, e Ana tem o dobro da velocidade. Se elas se encontram, Ana terá dado o dobro dos passos de Bruna. O professor testa pontos: em certos pontos de passagem do caminho de Bruna, ela teria dado 2 ou 3 passos, e Ana teria de ter dado 4, 6 ou, em outro, 9 passos, que não é o dobro. Isso restringe os possíveis pontos de encontro.

A chave é o total de passos. Qualquer que seja o caminho, Ana sozinha dá 6+6=12 passos até o canto oposto, e o mesmo vale para Bruna. Se elas se encontram em algum ponto, a soma dos passos de ambas é 12. Com Ana andando o dobro de Bruna, 12/3=4: Bruna dá 4 passos e Ana dá 8.

Os dois tentam usar mudança de referencial para simplificar o problema, como se faz em cinemática, mas o professor conclui que não funciona aqui: a velocidade de cada uma muda de direção a cada passo (pode ser só para cima, só para a direita ou uma mistura). A ideia foi útil apenas como analogia.

O professor determina então os pontos de encontro. Bruna, em 4 passos, só pode estar em cinco pontos, conforme quantos passos dá para a esquerda e quantos para baixo. Num argumento analítico, ele coloca a origem no ponto de partida de Ana: cada passo soma uma unidade a uma das coordenadas, logo, depois de 8 passos, x+y=8, equação de uma reta. Os cinco pontos de encontro ficam sobre essa reta. Eles notam que a condição é necessária, mas não suficiente: um caminho de 8 passos para Ana e de 4 para Bruna não garante que se encontrem.

Para cada ponto, multiplica-se o número de caminhos de Ana pelo de Bruna: 28⋅1, 56⋅4=224, 70⋅6=420, 224 e 28. A simetria evita refazer metade. Somando, o professor chega a 924 maneiras de os dois caminhos se encontrarem, e encerra o problema aí, dizendo que já está "mais do que respondido".

▶ Ver este trecho no vídeo (04:19:00)

Digressão de física: mudança de referencial e distância mínima entre dois móveis

Para justificar por que a mudança de referencial seria tentadora no problema anterior, o professor adapta uma questão de cinemática que, segundo ele, já caiu no ITA. Um ponto A sai da origem na vertical com velocidade vA. No mesmo instante, um ponto B sai com velocidade vB, em direção perpendicular, aproximando-se da trajetória de A, a uma distância inicial D. Qual é a menor distância entre os dois? As velocidades são constantes. A dificuldade é que os dois se movem ao mesmo tempo.

A ideia é olhar o problema no referencial de A, no qual ele está parado. Para isso se soma a todo o sistema uma velocidade vA para baixo (o princípio de que ninguém se move em relação a si mesmo). Nesse referencial, B tem duas componentes, vB na horizontal e vA para baixo, e sua trajetória é uma reta diagonal. A menor distância entre A, parado, e essa reta é o segmento perpendicular. Pela semelhança entre o triângulo das distâncias e o triângulo das velocidades, cuja hipotenusa vale vA2+vB2 por Pitágoras, obtém-se

$dmin⁡=D vAvA2+vB2.$

O professor refaz o problema no referencial de fora, sem mudar nada. Passado um tempo t, B andou vBt e A andou vAt, então d2(t)=(vAt)2+(D−vBt)2. Esse quadrado da distância é uma função do segundo grau em t, cujo mínimo ocorre no vértice, tv=D vBvA2+vB2. Substituindo e simplificando, o resultado coincide, mas com muito mais álgebra.

Ele explica por que as respostas coincidem: distâncias entre dois pontos e intervalos de tempo não mudam quando se troca de referencial, como a altura de uma pessoa não muda com o movimento do observador. O que muda é a velocidade (a de B visto de A difere da vista de fora).

▶ Ver este trecho no vídeo (04:43:00)

Lançamento de cinco dados: probabilidade de anotar poucos números distintos

Último problema do capítulo, numerado como questão 12 pelo professor: lançam-se cinco dados e anotam-se os números que saíram, com números repetidos anotados uma só vez. Se saem 1, 2, 3, 4 e 5, anota-se 1, 2, 3, 4 e 5; se saem três 1 e dois 2, anota-se só 1 e 2; se todos os dados dão 1, anota-se só o 1. O professor pede a probabilidade de anotar no máximo três números e, para facilitar, divide em casos: exatamente um, exatamente dois e exatamente três números distintos.

O espaço amostral tem 65 resultados, um fator 6 para cada dado.

Com um número só, todos os dados têm de mostrar o mesmo valor. Pelo raciocínio sequencial, o primeiro dado é livre e os outros quatro têm de repetir, com probabilidade 1/64. Por contagem, são 6 resultados favoráveis: 6/65=1/64.

Com exatamente dois números, escolhe-se o par de valores: (62)=15. Para um par fixo, X e Y, há duas estruturas: quatro de um valor e um do outro (5!/4!=5 anagramas, a multiplicar por 2, pois qualquer dos dois pode ser o repetido quatro vezes), e três de um e dois do outro (5!/(3! 2!)=10, a multiplicar por 2 pelo mesmo motivo). Isso dá 10+20=30 resultados por par e 15⋅30=450 no total, de modo que P2=450/65.

Com exatamente três números, escolhe-se a trinca: (63)=20. Para uma trinca fixa só há duas estruturas: três de um valor mais um de cada um dos outros, ou dois de um, dois de outro e um de outro. Na primeira, 5!/3!=20 anagramas, a multiplicar por 3 (qual valor se repete), dando 60. Na segunda, 5!/(2! 2!)=30 anagramas, a multiplicar por 3 (qual valor aparece só uma vez), dando 90. O professor primeiro disse 45 em vez de 90 e propagou a correção, ficando com 60+90=150 por trinca e 20⋅150=3000 no total.

A probabilidade pedida é a soma P1+P2+P3.

▶ Ver este trecho no vídeo (05:06:00)

As fórmulas desta aula

Permutação simples
Pn=n!

Para ordenar n objetos distintos; quando duas pessoas devem ficar juntas, elas viram um bloco e cada pessoa isolada conta como uma caixa.

Pessoas juntas: bloco e permutação interna
2!⋅7!=10080

Para uma fila de 8 pessoas com duas delas juntas: permuta-se 7 caixas (o bloco e as demais) e multiplica-se pelas trocas dentro do bloco.

Contagem complementar (indireta)
desejado=total−indesejado

Quando contar o que se quer é trabalhoso (por exemplo, pessoas separadas), mas contar o contrário (juntas) é fácil.

Princípio fundamental da contagem e multiplicação de probabilidades
N=n1⋅n2⋯nk,P(ramo)=p1⋅p2⋯pk

Quando dois ou mais eventos devem acontecer em sequência: multiplicam-se as quantidades de maneiras ou as probabilidades ao longo do ramo da árvore.

Probabilidade total pela soma dos ramos
P=∑ramos favoraˊveisP(ramo)

Para a probabilidade de um resultado que pode ocorrer por mais de um ramo da árvore (somam-se os ramos alternativos).

Probabilidade condicional pela árvore
P(A∣B)=P(A∩B)P(B)

Quando há uma informação dada (B) e se quer a chance de A: numerador são os ramos que satisfazem os dois, denominador são todos os ramos compatíveis com a informação. A fórmula não é escrita na aula; o professor prefere a árvore.

Permutação com repetição
Pna,b=n!a! b!

Para contar anagramas com letras repetidas e, portanto, caminhos em malha com a passos de um tipo e b de outro: $7!/(4!\,3!)=35$.

Caminhos em malha entre dois pontos
(a+b)!a! b!

Para caminhos que só andam para cima (a passos) e para a direita (b passos), com cada caminho correspondendo a um anagrama.

Soma constante de coordenadas após n passos
x+y=n

Para localizar onde um caminhante que só soma 1 a uma coordenada por passo pode estar após n passos (os pontos ficam numa reta).

Combinação simples
(nk)=n!k! (n−k)!

Para escolher k valores entre n sem importar a ordem, como escolher os números que aparecem nos dados: $\binom{6}{2}=15$ e $\binom{6}{3}=20$.

Probabilidade clássica
P=casos favoraˊveiscasos possıˊveis,cinco dados: 65

Quando todos os resultados são igualmente prováveis, caso do lançamento de dados; o espaço amostral de 5 dados tem $6^5$ resultados.

Vértice da parábola (instante de distância mínima)
tv=−b2a

Quando o quadrado da distância entre dois móveis é um polinômio do segundo grau no tempo; o mínimo ocorre no vértice.

Distância mínima entre dois móveis em trajetórias perpendiculares
dmin⁡=D vAvA2+vB2

Para A saindo na vertical com $v_A$ e B aproximando-se na horizontal com $v_B$, com distância inicial D; obtida pela mudança de referencial e semelhança de triângulos.

Fichas completas: permutacao simples permutacao com repeticao combinacao simples principio fundamental da contagem probabilidade probabilidade condicional velocidade relativa vertice da parabola pitagoras relacao de euler

As 7 questões resolvidas na aula

Questão 01 · Questão do professor (ano não citado); o professor chama de 'aquecimento'

Resolvida na aulaQuestão do professor (ano não citado); o professor chama de 'aquecimento'

Uma fila com oito pessoas, entre elas Ana, Bruna, Carlão e Daniel. De quantas maneiras é possível formar a fila se Ana e Bruna devem ficar juntas e Carlão e Daniel devem ficar necessariamente separados?

  1. Ana e Bruna juntas: formam um bloco; o bloco e as outras seis pessoas dão 7 caixas, permutadas de 7! maneiras; dentro do bloco, 2!. Total 2!⋅7!=10080.
  2. Dentro desse total, contar as filas em que Carlão e Daniel também ficam juntos: dois blocos mais quatro pessoas dão 6 caixas, 6! maneiras, vezes 2!⋅2! de trocas internas, =2880.
  3. Contagem indireta: separados = (Ana e Bruna juntas) − (Ana e Bruna juntas e Carlão e Daniel juntos) =10080−2880.
Resposta: 7200 filas.

Armadilha: Esquecer que cada pessoa isolada também é uma caixa (contar 6 em vez de 7 caixas), esquecer a permutação interna do bloco, ou tentar contar 'separados' diretamente em vez de subtrair do caso 'juntos'.

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Questão 02 · Questão do professor (ano não citado); exemplo clássico de probabilidade condicional

Resolvida na aulaQuestão do professor (ano não citado); exemplo clássico de probabilidade condicional

Uma caixa tem três moedas: duas honestas e uma com duas caras. Uma moeda é retirada ao acaso e lançada duas vezes, sem que se veja qual é. Sai cara nos dois lançamentos. Qual a probabilidade de a moeda ser honesta?

  1. Árvore: três ramos de 1/3 (duas honestas, uma desonesta).
  2. Em cada moeda honesta, os quatro resultados têm 1/4 cada; o ramo cara-cara tem probabilidade 1/3⋅1/4=1/12. Na desonesta, cara-cara tem 1/3⋅1=4/12.
  3. Com a informação 'duas caras', o espaço amostral são os ramos compatíveis: 1/12+1/12+4/12=6/12.
  4. A parte honesta é 1/12+1/12=2/12. A razão 2/12 para 6/12 dá 2/6=1/3.
Resposta: 1/3 (não 2/3): o resultado de duas caras torna a moeda desonesta duas vezes mais provável.

Armadilha: Ignorar a informação nova e responder 2/3 (dado que a caixa tem 2 honestas em 3), ou dizer 50% porque 'ou é honesta ou não é'.

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Questão 03 · Clássico problema de Monte Hall, apresentado pelo professor

Resolvida na aulaClássico problema de Monte Hall, apresentado pelo professor

Três portas: atrás de uma há um prêmio de um milhão de dólares, atrás das outras duas nada. O jogador escolhe uma porta; o apresentador, que sabe onde está o prêmio, abre uma das outras duas vazia e oferece a troca. Qual a probabilidade de ganhar trocando?

  1. Estratégia 'sempre trocar'. Se o jogador escolheu a porta premiada (probabilidade 1/3), a troca leva a uma porta vazia e ele perde.
  2. Se escolheu uma vazia (probabilidade 2/3), o apresentador é obrigado a abrir a outra vazia; a troca leva ao prêmio.
  3. Generalização: com 100 portas, abrem-se 98 vazias; perde-se só se se acertou de primeira (1/100).
Resposta: Trocando, a probabilidade de ganhar é 2/3 (com 100 portas, 99/100).

Armadilha: Achar que restam duas portas, portanto 50% cada. A porta inicial continua com 1/3 (ou 1/100); a probabilidade das portas abertas se acumula na outra.

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Questão 04 · Exemplo do professor para o problema da malha (revisão do caso clássico)

Resolvida na aulaExemplo do professor para o problema da malha (revisão do caso clássico)

Numa malha, o ponto B está 4 passos acima e 3 à direita do ponto A, e só se pode andar para cima ou para a direita. Quantos caminhos há de A até B? Quantos passam por um ponto P que exige 3 passos para cima e 1 para a direita desde A?

  1. Cada caminho tem 4 C e 3 D; cada anagrama de CCCCDDD é um caminho. Total: 7!/(4! 3!)=35.
  2. De A até P: 3 C e 1 D, 4!/3!=4 caminhos.
  3. De P até B: 1 C e 2 D, 3!/2!=3 caminhos.
  4. Passando por P, multiplicam-se as duas etapas: 4⋅3=12. Os que não passam: 35−12=23.
Resposta: 35 caminhos no total e 12 passando por P.

Armadilha: Somar em vez de multiplicar as duas etapas, ou esquecer que 'não passar por P' é total menos 'passar por P'.

▶ Ver no vídeo (04:14:00)

Questão 05 · Questão do professor (mistura de caso clássico com uma 'inovada' dele); ano não citado

Resolvida na aulaQuestão do professor (mistura de caso clássico com uma 'inovada' dele); ano não citado

Numa malha 6×6, Ana sai de um canto e anda só para cima ou para a direita, com igual probabilidade quando há duas opções. Bruna sai do canto oposto (?) e anda só para a esquerda ou para baixo. Ana tem o dobro da velocidade de Bruna. Qual a probabilidade de se encontrarem? (A aula encerra na contagem de formas.)

  1. Para se encontrar, a soma dos passos é 12 (6+6); como Ana dá o dobro, Ana dá 8 e Bruna dá 4.
  2. Ana, após 8 passos, está num ponto com x+y=8 (dentro da malha, cinco pontos).
  3. Para cada ponto: caminhos de Ana vezes caminhos de Bruna: (82)⋅1=28; (83)⋅(43)=224; (84)⋅(42)=420; 224; 28.
  4. Soma: 28+224+420+224+28=924 formas de os caminhos se encontrarem.
Resposta: 924 formas de se encontrarem (a conversão em probabilidade não é feita na aula).

Armadilha: Achar que o ponto de encontro é qualquer ponto com soma de passos 12: a condição é necessária, não suficiente. Também: usar mudança de referencial, que não funciona porque a velocidade de cada uma muda de direção a cada passo.

▶ Ver no vídeo (04:19:00)

Questão 06 · Questão de cinemática que, segundo o professor, 'caiu uma vez até no ITA' (adaptada por ele)

Resolvida na aulaQuestão de cinemática que, segundo o professor, 'caiu uma vez até no ITA' (adaptada por ele)

Um ponto A sai de um ponto com velocidade vA na vertical; no mesmo instante um ponto B sai com velocidade vB na horizontal, em direção à trajetória de A, a uma distância inicial D. Qual a menor distância entre A e B, com velocidades constantes?

  1. Referencial de A: somar vA para baixo em tudo; A fica parado e B passa a se mover na diagonal com velocidade de componentes vB e vA.
  2. A menor distância de A à trajetória de B é a perpendicular; semelhança de triângulos (distâncias e velocidades) e Pitágoras na hipotenusa de velocidades.
  3. Resultado: dmin⁡=D vA/vA2+vB2.
  4. Conferência no referencial de fora: d2(t)=(vAt)2+(D−vBt)2 é um trinômio em t, mínimo no vértice tv=DvB/(vA2+vB2), que dá o mesmo valor.
Resposta: dmin⁡=D vAvA2+vB2

Armadilha: Seguir direto para o referencial de fora, com tempo, parábola e muita álgebra, sem enxergar a semelhança de triângulos que simplifica tudo.

▶ Ver no vídeo (04:43:00)

Questão 07 · Questão do professor numerada como 'question number 12' (?); ano não citado; a versão original pede 'no máximo três números'

Resolvida na aulaQuestão do professor numerada como 'question number 12' (?); ano não citado; a versão original pede 'no máximo três números'

Lançam-se cinco dados e anotam-se os números obtidos, escrevendo cada número repetido uma só vez. Qual a probabilidade de serem anotados no máximo três números?

  1. Espaço amostral: 65.
  2. Um número: 6 resultados, P1=6/65=1/64.
  3. Dois números: (62)=15 pares; por par, (5+10)⋅2=30 resultados (estruturas 4+1 e 3+2, trocando os papéis de X e Y); total 450.
  4. Três números: (63)=20 trincas; por trinca, estruturas 3+1+1 (20⋅3=60) e 2+2+1 (30⋅3=90); 150 por trinca e 3000 no total (após a correção de 45 para 90 feita pelo professor).
  5. Somar os três casos: 6+450+3000=3456 resultados favoráveis (soma não dita na aula; calculada a partir dos valores corrigidos?).
Resposta: P=6+450+300065=34567776=49 (? a soma final não é dita na aula; ver dúvidas).

Armadilha: Contar duas vezes (4X+1Y e 4Y+1X são casos distintos, mas já cobertos pelo fator 2 após escolher o par); errar 5!/(2!2!) como 15 em vez de 30; esquecer o fator 3 de qual valor se repete.

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Erros que derrubam nota em análise combinatória e probabilidades

  1. 01

    Esquecer que cada pessoa isolada também ocupa uma 'caixa'

    Esquecer que cada pessoa isolada também ocupa uma 'caixa' ao permutar blocos (contar 6 caixas em vez de 7).

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  2. 02

    Esquecer a permutação interna do bloco

    Esquecer a permutação interna do bloco (as duas pessoas juntas podem trocar de lugar).

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  3. 03

    Tentar contar 'separados' diretamente, caso a caso, em vez

    Tentar contar 'separados' diretamente, caso a caso, em vez de total menos 'juntos'.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  4. 04

    Subtrair do total geral

    Subtrair do total geral (8!) quando já se está dentro de um ramo (Ana e Bruna juntas).

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  5. 05

    Responder $2/3$ no problema das moedas ignorando

    Responder 2/3 no problema das moedas ignorando a informação das duas caras.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  6. 06

    Dizer que a probabilidade é $50\%$ porque há 'dois

    Dizer que a probabilidade é 50% porque há 'dois resultados possíveis', como no caso do assalto ou do meteoro.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  7. 07

    No Monte Hall, achar que as duas portas restantes valem

    No Monte Hall, achar que as duas portas restantes valem 50% cada.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  8. 08

    Somar em vez de multiplicar as quantidades de caminhos de A

    Somar em vez de multiplicar as quantidades de caminhos de A até P e de P até B.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  9. 09

    Tratar a condição de encontro

    Tratar a condição de encontro (soma de passos igual a 12) como suficiente.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  10. 10

    Tentar mudança de referencial quando a velocidade de cada

    Tentar mudança de referencial quando a velocidade de cada móvel muda de direção a cada instante.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  11. 11

    Contar duas vezes os casos 4X1Y e 4Y1X, ou esquecer

    Contar duas vezes os casos 4X1Y e 4Y1X, ou esquecer de multiplicar por 2 quando X e Y trocam de papel.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  12. 12

    No caso de três números distintos, errar 5!/

    No caso de três números distintos, errar 5!/(2!2!) como 15 em vez de 30 (propagado ao total), ou esquecer o fator 3.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.

FAQ: Análise Combinatória e Probabilidades na FUVEST

Como faço quando duas pessoas têm de ficar juntas numa fila?

Trate as duas como um bloco. Conte o bloco e cada pessoa restante como uma caixa e permute as caixas. Depois multiplique pelas permutações dentro do bloco. Para Ana e Bruna entre oito pessoas, são 7! caixas e 2! dentro do bloco, ou seja, 2!⋅7!=10080.

Quando devo usar a contagem indireta (complementar)?

Quando contar o que se pede diretamente é difícil, mas contar o contrário é fácil. 'Separados' é difícil e 'juntos' é fácil, então 'separados' é total menos 'juntos'. O professor diz que não há receita mágica: o discernimento vem de já ter errado antes ao contar na mão o caso difícil.

Por que a probabilidade de a moeda ser honesta cai de 2/3 para 1/3 depois das duas caras?

Porque a moeda de duas caras sempre produz o resultado observado, enquanto cada moeda honesta o produz só em 1/4 das vezes. Dos seis ramos compatíveis com duas caras (em doze), dois são de moedas honestas, daí 2/6=1/3. A informação nova torna a moeda desonesta duas vezes mais provável.

Por que não vale dizer que a chance é 50% porque 'ou acontece ou não acontece'?

Porque dois resultados possíveis não são necessariamente igualmente prováveis. O professor usa o exemplo de ser assaltado ou de cair um meteoro: 'ou cai ou não cai' não dá 50%. A probabilidade depende de quantos casos favoráveis existem entre os possíveis.

Por que trocar de porta no problema de Monte Hall dá 2/3?

A porta escolhida no início mantém a probabilidade inicial de 1/3, pois a abertura de uma porta vazia não diz nada sobre ela. Toda a probabilidade das portas abertas se acumula na porta restante. Pense em 100 portas: depois de abrir 98 vazias, a porta restante tem 99/100. Trocando, só se perde quando se acertou de primeira.

Como contar os caminhos numa malha em que só se anda para cima e para a direita?

Escreva cada caminho como uma palavra com C (cima) e D (direita). Cada caminho é um anagrama, então o número de caminhos é (a+b)!/(a! b!). Para 4 passos para cima e 3 para a direita, são 7!/(4! 3!)=35. Para passar por um ponto, multiplica-se o número de caminhos até o ponto pelo de lá até o fim.

Por que a distância mínima e o tempo não mudam quando mudo de referencial?

Porque a distância entre dois pontos e o intervalo de tempo são independentes do observador (a altura de uma pessoa é a mesma, ande ela ou não). O que muda são as velocidades, e por isso a mudança de referencial pode simplificar o problema sem alterar a resposta.

Como separar os casos na probabilidade de anotar poucos números nos cinco dados?

Separe por quantos números distintos aparecem: um, dois ou três. Para cada caso escolha os valores (combinação de 6) e conte as estruturas possíveis de repetição com permutação com repetição, lembrando de multiplicar pelas trocas de papel entre valores. Depois some os casos e divida por 65.

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