Esta aula em 105 minutos: o índice

Atualizado em set/2026. Quem te mostra isso aqui é o Universo Narrado, com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube e quase 2.000 aulas gratuitas de Física e Matemática. Esta página é o capítulo de Geometria Espacial da aula, em texto, com o minuto de cada passo. Sem resumo de legenda: é a explicação do professor, editada.

No vídeoO que acontece
00:06:00Questão 1: pirâmide com esferas inscrita e circunscrita
00:08:00Onde a esfera inscrita toca a pirâmide: simetria e corte plano
00:17:00Esfera inscrita: raio 3 por semelhança e por tangentes
00:20:00Esfera circunscrita: R = 17/2 e razão de áreas 36/289
00:28:00Questão 2: caixa de base quadrada inclinada, 12,5% derramado
00:36:00Digressão: por que o nível da água é horizontal
00:46:00Prisma triangular e volume de 1/8
00:56:00tan θ = 1/2 e sen θ = 1/√5 (dois métodos)
01:06:00Questão 3: tetraedro regular e sólidos de Platão
01:10:00Cortes em terços: área final = 7/9 da inicial
01:21:00Questão 4: poliedro de 62 faces e a relação de Euler
01:42:00Sistema: V = 60, A = 120, F3 = 20, F4 = 30, F5 = 12

Pirâmide com duas esferas: visualizar, desenhar e reduzir ao plano

A primeira questão traz uma pirâmide regular de base quadrada, com aresta da base 12 e altura 8, e pede a razão entre a área da esfera inscrita e a área da esfera circunscrita. O enunciado vem sem figura, e o professor aponta isso como a maior dificuldade dos alunos em geometria espacial: é preciso visualizar e fazer ao menos um esboço, que não precisa ser bonito, só mostrar o que acontece. Ele defende que o tempo gasto no desenho não é perda, faz parte do processo.

Os dois conceitos precisam estar claros. A esfera inscrita está dentro do sólido e toca todas as faces; se fosse um pouco maior, estouraria as faces. A circunscrita passa por todos os vértices; se a pirâmide crescesse um pouco, sairia da esfera. Uma dica de método é nunca começar o desenho pelas esferas: elas ficam por último, e muitas vezes nem precisam ser desenhadas.

Para a esfera inscrita, a pergunta é onde ela toca as faces. Na base quadrada, a simetria obriga o contato no centro do quadrado, pois não há razão para tocar um lado e não o outro. Nas faces triangulares, o ponto de contato não é o baricentro nem o ortocentro, porque depende do formato da pirâmide (se for muito alta, toca mais embaixo; se for aberta, mais em cima). Mas, como o triângulo da face é isósceles, a simetria exige que o contato esteja sobre a altura da face.

Chamando de V o vértice e de M o ponto médio de uma aresta da base, e de N o ponto médio da aresta oposta, o plano que passa por V, M e N corta a pirâmide e a esfera exatamente ao meio. O problema se reduz a geometria plana: um triângulo VMN com uma circunferência dentro. O professor lembra que questões de geometria espacial normalmente trabalham muito com geometria plana, e que esse triângulo do corte não é uma face da pirâmide, é um triângulo novo, resultante de partir o sólido ao meio.

▶ Ver este trecho no vídeo (00:06:00)

Esfera inscrita: o triângulo 6-8-10 e o raio r = 3

No corte, o triângulo VMN tem base MN=12 (a aresta da base) e altura 8 (a altura da pirâmide). Uma pirâmide regular tem duas propriedades: a base é um polígono regular (aqui, um quadrado) e todas as arestas laterais são iguais, de modo que a projeção do vértice cai no centro da base e as faces laterais são triângulos isósceles congruentes. Por isso a altura do corte coincide com a altura de uma face lateral. Metade da base vale 6, a altura vale 8 e a hipotenusa vale 10: aparece o triplo pitagórico 6-8-10, múltiplo de 3-4-5, que o professor considera sinal de que o caminho está certo.

O centro da circunferência inscrita é o encontro das bissetrizes do triângulo VMN e o raio r é a distância do centro à base e à face. Há dois jeitos de achar r.

O primeiro é por semelhança. O triângulo retângulo pequeno, formado por V, pelo ponto de contato na face e pelo centro, é semelhante ao triângulo grande (6, 8, 10): ambos têm o ângulo α em V e um ângulo reto (no pequeno, o raio é perpendicular à tangente). No pequeno, o cateto oposto a α é r e a hipotenusa é 8−r; no grande, são 6 e 10. Logo r8−r=610, o que dá 10r=48−6r e r=3.

O segundo, que o professor chama de elegante, usa a propriedade de que dois segmentos tangentes traçados de um mesmo ponto externo à circunferência são iguais. De M, o segmento até a base mede 6 (metade de 12), então o segmento até a face também mede 6, e sobram 10−6=4 a partir de V. No triângulo retângulo com catetos 4 e r e hipotenusa 8−r, aparece de novo o 3-4-5: r=3 e 8−r=5.

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Esfera circunscrita: centro na altura, R = 17/2 e razão 36/289

Na esfera circunscrita, o raio R é a distância do centro a qualquer vértice. O professor avisa que é fácil errar aqui: no corte pelo ponto médio das arestas, os pontos M e N não são vértices da pirâmide (são pontos médios de arestas), então a circunferência do corte não passa por eles, e usar o mesmo desenho da inscrita para a circunscrita leva ao erro. É preciso procurar um ponto, sobre a altura da pirâmide, que esteja à mesma distância do vértice V e dos vértices da base. Também não se pode presumir que esse centro seja o da esfera inscrita: eles podem coincidir em casos particulares, mas nada garante isso.

Tomando um corte que passe por V e por dois vértices opostos da base, aparece um triângulo retângulo com: hipotenusa R (do centro a um vértice da base), um cateto igual à metade da diagonal da base, e o outro cateto igual a 8−R (da altura, descontado o raio que sobe do centro até V). Como a diagonal do quadrado de lado 12 vale 122, a metade é 62. Por Pitágoras, (8−R)2+(62)2=R2, isto é, 64−16R+R2+72=R2, e então 136=16R. Simplificando por 8, R=172.

A razão pedida é a das áreas 4πr2 e 4πR2. O 4π se cancela e sobra (rR)2, e é melhor calcular a razão r/R antes de elevar ao quadrado, para elevar um número só: 317/2=617, de modo que a razão é 36289.

O professor resume o que torna a questão difícil: ela só usa Pitágoras e semelhança, as ferramentas mais básicas, mas exige construir o desenho. Se a prova entregasse a figura, o acerto subiria bastante.

▶ Ver este trecho no vídeo (00:20:00)

Caixa inclinada: modelo em 2D e a figura que sai

A segunda questão é um caso clássico, parecido com uma do simulado oficial da FUVEST (aquela que teve problema de enunciado). Há um paralelepípedo reto de base quadrada, uma caixa de sapato sem tampa, cheia de água até a borda, com aresta da base e diagonal do paralelepípedo conhecidas. A caixa é inclinada sobre uma aresta até derramar 12,5% da água, e pede-se o seno do ângulo de inclinação. O professor comenta que, se pedissem a tangente ou o cosseno, a conta seria mais fácil: o seno é o ponto de dificuldade.

A saída é desenhar em 2D. Visto de frente, o sólido é um retângulo cheio de água, e a inclinação sobre uma aresta aparece como uma rotação do retângulo em torno de um vértice (a aresta é uma reta que entra no quadro). Ao girar, a água vaza pela aresta superior; o nível da água fica na horizontal e, na posição final, a parte do retângulo que perdeu água é um triângulo retângulo, enquanto a água que fica ocupa o resto.

Por que o nível é horizontal? O professor dá o argumento da física: em equilíbrio, a superfície livre é uma superfície equipotencial, e a superfície equipotencial é perpendicular às linhas de campo, que na gravidade apontam para baixo. Ilustra com o potencial elétrico kQ/r de uma carga, cujas equipotenciais são circunferências perpendiculares às linhas radiais. Na sequência, mostra que em um cilindro cheio que gira com velocidade angular constante a superfície vira um paraboloide de revolução. Esse trecho, e a conversa sobre Galileu e o “argumento galilaico” (“há de ser assim porque não poderia ser de outra forma”), são digressões que não entram na resolução.

Em 3D, a parte que sai não é um triângulo, é um prisma de base triangular: basta “puxar” o triângulo para fora na profundidade da caixa, que é a outra aresta da base. Essa figura é, segundo o professor, o ponto mais difícil de enxergar.

▶ Ver este trecho no vídeo (00:28:00)

Volume derramado = 1/8, altura 12, tan θ = 1/2 e sen θ = 1/√5

Um paralelepípedo pode se apoiar em qualquer face, então qualquer par de faces opostas serve de base (o professor liga isso à origem grega de “poliedro”, que remete a “assento”). Para o prisma triangular que sai da caixa, a base é o triângulo da vista frontal e a altura é a profundidade da caixa, que não muda e vale 6. Como V=Abase⋅h com h fixo, perder 12,5%=18 do volume equivale a o triângulo ter 18 da área da face frontal.

Falta a altura da caixa. A diagonal da base mede 62 e a diagonal do paralelepípedo mede 66. A aresta vertical é perpendicular ao plano da base e, por teorema, a toda reta desse plano que a encontra; por isso o triângulo é retângulo e h2+(62)2=(66)2. Dividindo por 6, h′2+2=6, h′=2 e h=12.

O volume inicial é 62⋅12=432. Com θ o ângulo de inclinação, o cateto vertical do triângulo é y=6tan⁡θ, e o volume derramado é 6y2⋅6=108tan⁡θ. Igualando a 4328=54, vem tan⁡θ=12. Pelo método por proporção: 6⋅128=9=3y, logo y=3 e tan⁡θ=36=12.

Para o seno, o método algébrico divide sen2θ+cos⁡2θ=1 por sen2θ e dá 1+1tan⁡2θ=1sen2θ. Com tan⁡θ=12, 1+4=5, então sen2θ=15 e sen θ=15 (ângulo agudo, seno positivo). No método do triângulo auxiliar, catetos 1 e 2 dão hipotenusa 5 e o mesmo seno; vale também fora do primeiro quadrante, ajustando o sinal. O professor lembra que a questão do simulado oficial tinha base triangular e não dizia em torno de qual aresta se girava, o que a tornava impossível.

▶ Ver este trecho no vídeo (00:46:00)

Tetraedro regular, sólidos de Platão e o corte em terços: área final 7/9

A terceira questão parte de um tetraedro regular de aresta a. O professor aproveita para definir sólido de Platão: um poliedro em que (1) todas as faces têm o mesmo número de lados e (2) de todos os vértices parte o mesmo número de arestas. Só existem cinco: tetraedro, hexaedro (o cubo), octaedro, dodecaedro e icosaedro (a prova de que são só cinco fica prometida para o fim do vídeo). Um poliedro regular é o de faces regulares e iguais; um tetraedro qualquer ainda é sólido de Platão pelas duas condições, mas só o de quatro triângulos equiláteros é regular.

A questão pede a razão entre a área da superfície do sólido obtido e a do tetraedro inicial, após retirar de cada vértice um tetraedro regular de aresta a3. Uma face do sólido original é um triângulo equilátero de lado a, com ângulos de 60∘. O cantinho cortado em cada face é um triângulo isósceles com lados a3 e ângulo de 60∘ entre eles, logo também equilátero, semelhante ao da face com razão 13.

O raciocínio é por contagem de triângulos. Ao cortar um vértice, saem três triangulinhos (um de cada face que encontra o vértice), mas aparece uma face nova, também um triangulinho igual. Em cada vértice, portanto, a área líquida retirada equivale a dois triangulinhos. São 4 vértices, logo 8 triangulinhos.

Cada triangulinho tem razão de áreas igual ao quadrado da razão de semelhança, (13)2=19 da área de uma face. E uma face é 14 da área total A. Então cada triangulinho vale 19⋅14A=A36. A área final é A−8⋅A36=A(1−29)=79A, e a razão pedida é 79.

O professor destaca que o raciocínio é puramente de proporção: nem a área do triângulo equilátero (a234) é necessária, só o fato de a razão de corte ser 13.

▶ Ver este trecho no vídeo (01:06:00)

O poliedro de 62 faces: relação de Euler e como contar arestas

A última questão descreve um poliedro convexo de 62 faces (o professor o chama de “Bob”: lembra o sólido de dado de 62 faces, que ele identifica como um rombicosidodecaedro) com faces triangulares, quadradas e pentagonais. A razão entre o número de faces quadradas e triangulares é 3 para 2, e de cada vértice saem 4 arestas. Pede-se quantas faces de cada tipo, e as características do poliedro. Em geral, não se consegue desenhar um sólido assim, então é preciso contar de forma indireta.

A primeira ferramenta é a relação de Euler, V+F−A=2, para poliedros convexos. O professor faz uma digressão sobre a característica de Euler: o número V−A+F é um invariante topológico. Para qualquer poliedro convexo ou para a esfera dividida em meridianos e paralelos, dá 2; para o toro (a rosquinha), dá 0. Ele chega a dizer, no início, que da esfera dava 0, e corrige depois: esfera 2, toro 0. A relação garante, ainda, que o sólido é possível de fechar.

A segunda ferramenta é a contagem de arestas somando os lados das faces. Para um cubo, são seis faces com quatro arestas cada, o que dá 24, mas cada aresta é contada duas vezes (pertence a duas faces), então são 12. Em geral, 2A é a soma dos lados de todas as faces. A terceira é o mesmo raciocínio pelos vértices: se de cada vértice saem k arestas, 2A=k⋅V, pois cada aresta liga dois vértices. No cubo, 3⋅8/2=12 de novo.

Entre as digressões do trecho, o professor conta a história de Galileu defendendo, nos diálogos, um experimento que ele “não fez e não precisa fazer” (“há de ser assim porque não poderia ser de outra forma”), e uma anedota de Einstein, Planck e o eclipse de Sobral. Não influem na resolução.

▶ Ver este trecho no vídeo (01:21:00)

Resolvendo o sistema: 60 vértices, 120 arestas e as faces de cada tipo

Sejam F3, F4 e F5 os números de faces triangulares, quadradas e pentagonais. Contando as arestas pelas faces, 3F3+4F4+5F5=2A. Contando pelos vértices, como de cada um saem 4 arestas, 2A=4V, isto é, A=2V. A relação de Euler com F=62 fica V+62−2V=2, de onde V=60 e A=120. Logo 2A=240.

As três equações para as três incógnitas são:

1. F3+F4+F5=62; 2. F4F3=32, ou seja, 2F4=3F3; 3. 3F3+4F4+5F5=240.

O professor resolve “na unha”. Na terceira, troca 3F3 por 2F4: 6F4+5F5=240. Na primeira, multiplica por 3 e troca 3F3 por 2F4 de novo: 5F4+3F5=186. Multiplica a primeira por 3 e a segunda por 5, para igualar o coeficiente de F5: 18F4+15F5=720 e 25F4+15F5=930. Subtraindo, 7F4=210 e F4=30. Ele comenta que, se o resultado fosse fracionário (por exemplo, 7,5 faces), seria sinal de erro de conta. Da razão, F3=2⋅303=20, e de F3+F4+F5=62 sai F5=12. Conferência: 3⋅20+4⋅30+5⋅12=60+120+60=240.

O poliedro tem então 60 vértices, 120 arestas, 20 faces triangulares, 30 quadradas e 12 pentagonais. Como desafio, o professor pede o número de diagonais do sólido (segmentos entre vértices que não são ligados por aresta nem estão numa mesma face) e dá a resposta: 1530. A conta não é mostrada de forma clara na transcrição.

O professor encerra o capítulo da geometria espacial lembrando que as questões foram escolhidas entre as mais difíceis (cerca de 30% da prova teria esse nível, segundo a impressão dele pelo simulado) e emenda a abertura do bloco de trigonometria.

▶ Ver este trecho no vídeo (01:39:00)

As fórmulas desta aula

Pirâmide regular
base: polıˊgono regular; arestas laterais iguais

Para saber que a projeção do vértice cai no centro da base e que as faces laterais são triângulos isósceles congruentes.

Triplo pitagórico 3-4-5
32+42=52  (e muˊltiplos: 6-8-10)

Para reconhecer o triângulo do corte e conferir que o caminho está certo.

Semelhança de triângulos retângulos
cateto oposto a αhipotenusa igual nos dois triaˆngulos

Para achar o raio da esfera inscrita igualando razões entre o triângulo pequeno e o grande.

Tangentes de um ponto externo
PT1=PT2

Para igualar os segmentos tangentes traçados de um mesmo ponto a uma circunferência e achar o raio por Pitágoras.

Área da esfera
A=4πr2

Para comparar esferas: o $4\pi$ se cancela na razão.

Razão de áreas de duas esferas
A1A2=(rR)2

Para calcular primeiro $r/R$ e elevar um número só ao quadrado.

Teorema de Pitágoras
a2=b2+c2

Para o raio da circunscrita, a altura da caixa e hipotenusas de triângulos auxiliares.

Diagonal do quadrado
d=L2

Para a metade da diagonal da base ($6\sqrt2$) e na caixa de base quadrada.

Volume do prisma
V=Abase⋅h

Para comparar o volume derramado ao total quando a altura (profundidade) não muda.

Reta perpendicular a um plano
r⊥α ⇒ r⊥s  ∀s⊂α

Para garantir o ângulo reto entre a aresta vertical e a diagonal da base.

Relação entre tangente e seno
1+1tan⁡2θ=1sen2θ

Para obter o seno a partir da tangente, para ângulo agudo, sem desenhar triângulo.

Razão de áreas de figuras semelhantes
A′A=k2

Para saber que um triângulo com lados $ frac13$ do original tem $ frac19$ da área.

Relação de Euler dos poliedros
V−A+F=2

Para poliedros convexos: liga vértices, arestas e faces e dá o número que falta.

Contagem de arestas pelas faces e pelos vértices
2A=∑k⋅Fk=grau⋅V

Cada aresta é contada duas vezes: pela soma dos lados das faces ou pelas arestas que saem de cada vértice.

Fichas completas: pitagoras proporcao relacao de euler radiciacao

As 5 questões resolvidas na aula

Questão 01 · FUVEST? (ano não citado; questão sem figura, no estilo das mais difíceis da prova)

Resolvida na aulaFUVEST? (ano não citado; questão sem figura, no estilo das mais difíceis da prova)

Em uma pirâmide regular de base quadrada, a aresta da base mede 12 e a altura mede 8. Determinar a razão entre a área da esfera inscrita e a área da esfera circunscrita à pirâmide. (a transcrição diz “Á da base é 12”; confirmado depois como aresta da base).

  1. Cortar a pirâmide por um plano que passe pela altura e pelos pontos médios M e N de duas arestas opostas da base: triângulo isósceles de base 12 e altura 8, com lados 10 (6-8-10).
  2. Inscrita: por semelhança, r8−r=610, logo r=3 (confere pelas tangentes: 42+r2=(8−r)2).
  3. Circunscrita: o centro está na altura. Metade da diagonal da base é 62, e por Pitágoras (8−R)2+(62)2=R2, de onde 136=16R e R=172.
  4. Razão de áreas: 4πr24πR2=(rR)2=(617)2.
Resposta: 36289

Armadilha: Desenhar a circunferência circunscrita no corte pelos pontos médios das arestas: ela deve passar pelos vértices da pirâmide, e M e N não são vértices. Também não assumir que os centros das duas esferas coincidem.

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Questão 02 · FUVEST? (ano não citado; o professor diz que uma bem parecida caiu no simulado oficial, com problema de enunciado)

Resolvida na aulaFUVEST? (ano não citado; o professor diz que uma bem parecida caiu no simulado oficial, com problema de enunciado)

Um paralelepípedo reto de base quadrada, sem tampa e cheio de água, tem aresta da base 6 e diagonal 66 (valores obtidos mais adiante na aula). Ele é inclinado sobre uma aresta da base até derramar 12,5% da água. Qual é o seno do ângulo de inclinação?

  1. Altura: diagonal da base 62 e diagonal do sólido 66; Pitágoras dá h2=216−72=144, h=12.
  2. Em 2D (vista frontal), a parte que perde água é um triângulo retângulo de cateto horizontal 6 e vertical y=6tan⁡θ; em 3D é um prisma de altura (profundidade) 6.
  3. Volume derramado =6y2⋅6=108tan⁡θ e deve valer 18⋅(62⋅12)=54, logo tan⁡θ=12.
  4. De 1+1tan⁡2θ=1sen2θ, vem 5=1sen2θ e sen θ=15 (ângulo agudo). Pelo triângulo de catetos 1 e 2 também dá 15.
Resposta: sen θ=15=55

Armadilha: Esquecer que o prisma triangular que sai tem a mesma altura (profundidade 6) e tentar calcular volumes completos; e esquecer o ângulo reto entre a aresta vertical e a diagonal da base.

▶ Ver no vídeo (00:28:00)

Questão 03 · FUVEST? (ano não citado)

Resolvida na aulaFUVEST? (ano não citado)

De um tetraedro regular de aresta a retira-se, em cada vértice, um tetraedro regular de aresta a3. Qual é a razão entre a área da superfície do sólido resultante e a do tetraedro inicial?

  1. Cada corte tira 3 triangulinhos (um por face do vértice) e cria 1 face nova igual: efeito líquido de 2 triangulinhos por vértice, 8 em 4 vértices.
  2. Os triangulinhos são equiláteros de lado a3: razão de semelhança 13 com a face, razão de áreas 19.
  3. Uma face é 14 da área total A, então cada triangulinho vale 19⋅14A=A36.
  4. Área final =A−8⋅A36=A(1−29)=79A.
Resposta: 79

Armadilha: Só subtrair os três triângulos cortados em cada vértice e esquecer que o corte cria uma face nova (que soma de volta um triangulinho).

▶ Ver no vídeo (01:06:00)

Questão 04 · FUVEST? (ano não citado; poliedro de 62 faces tipo rombicosidodecaedro)

Resolvida na aulaFUVEST? (ano não citado; poliedro de 62 faces tipo rombicosidodecaedro)

Um poliedro convexo tem 62 faces: triângulos, quadrados e pentágonos regulares. O número de faces quadradas está para o de triangulares como 3 para 2, e de cada vértice saem 4 arestas. Determinar o número de vértices, arestas e faces de cada tipo.

  1. Pelos vértices: 2A=4V, logo A=2V.
  2. Euler: V+62−A=2, então V+62−2V=2, V=60 e A=120.
  3. Pelas faces: 3F3+4F4+5F5=2A=240; da razão, 2F4=3F3; e F3+F4+F5=62.
  4. Substituindo 3F3=2F4: 6F4+5F5=240 e 5F4+3F5=186. Eliminando F5: 7F4=210, F4=30.
  5. F3=20 e F5=62−20−30=12 (confere: 60+120+60=240).
Resposta: V=60, A=120, F3=20, F4=30, F5=12.

Armadilha: Contar cada aresta uma vez só ao somar os lados das faces (a soma dá 2A, não A); e esquecer que A=2V vem de cada aresta ligar dois vértices.

▶ Ver no vídeo (01:21:00)

Questão 05 · desafio deixado pelo professor

Resolvida na auladesafio deixado pelo professor

Quantas diagonais tem o poliedro de 62 faces da questão anterior?

  1. A resposta dada em aula é 1530; a conta não aparece de forma clara na transcrição (a legenda traz “750” antes de “1530”).
  2. Conferência fora da aula: pares de vértices (602)=1770, menos 120 arestas, menos as diagonais das faces (30 quadrados com 2 e 12 pentágonos com 5, ou seja, 60+60=120): 1770−120−120=1530.
Resposta: 1530

Armadilha: Esquecer de descontar as diagonais das faces (que ficam na superfície e não são diagonais do sólido), além das arestas.

▶ Ver no vídeo (01:49:00)

Erros que derrubam nota em geometria espacial

  1. 01

    Desenhar o corte da pirâmide pelo ponto médio das arestas

    Desenhar o corte da pirâmide pelo ponto médio das arestas e circunscrever a circunferência a esse triângulo: a esfera circunscrita passa pelos vértices, não pelos pontos médios das arestas.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  2. 02

    Assumir que as esferas inscrita e circunscrita têm o mesmo

    Assumir que as esferas inscrita e circunscrita têm o mesmo centro (podem coincidir em casos particulares, mas nada garante).

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  3. 03

    Achar que a esfera inscrita toca as faces triangulares

    Achar que a esfera inscrita toca as faces triangulares no baricentro ou no ortocentro: o ponto depende do formato da pirâmide; só se sabe que está na altura da face.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  4. 04

    Elevar ao quadrado dois números separados para a razão

    Elevar ao quadrado dois números separados para a razão das áreas das esferas, em vez de calcular r/R e elevar uma vez.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  5. 05

    Esquecer que a aresta vertical da caixa é perpendicular

    Esquecer que a aresta vertical da caixa é perpendicular ao plano da base e, portanto, à diagonal da base (ângulo reto do Pitágoras).

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  6. 06

    Tentar calcular o volume total da caixa e o do pedaço sem

    Tentar calcular o volume total da caixa e o do pedaço sem notar que o prisma triangular tem a mesma altura (profundidade): só a área da base muda.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  7. 07

    Ao subtrair área nos cortes do tetraedro, tirar os três

    Ao subtrair área nos cortes do tetraedro, tirar os três triângulos de cada vértice e esquecer a face nova que o corte cria.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  8. 08

    Contar cada aresta uma única vez ao somar os lados

    Contar cada aresta uma única vez ao somar os lados das faces; a soma dá 2A.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  9. 09

    Lembrar a característica de Euler errada

    Lembrar a característica de Euler errada: a esfera e os poliedros convexos dão 2; o toro dá 0.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.

FAQ: Geometria Espacial na FUVEST

Como achar o raio da esfera inscrita em uma pirâmide regular de base quadrada?

Corte a pirâmide por um plano que passe pela altura e pelos pontos médios de duas arestas opostas da base. No triângulo isósceles resultante, a esfera vira uma circunferência inscrita. Por semelhança ou por tangentes de um ponto externo se obtém o raio; com base 12 e altura 8, r=3.

Onde fica o centro da esfera circunscrita a uma pirâmide regular?

Fica na altura da pirâmide, à mesma distância do vértice do topo e dos vértices da base. Com a metade da diagonal da base d/2 e altura H, vale (H−R)2+(d/2)2=R2. Com base 12 e altura 8, R=17/2.

Por que o nível da água fica na horizontal quando se inclina a caixa?

Em equilíbrio, a superfície livre da água é uma superfície equipotencial, e as equipotenciais são perpendiculares às linhas de campo. Na gravidade, as linhas de campo apontam para baixo, então a superfície é horizontal. Na prova, basta dizer que a superfície do líquido em repouso é horizontal.

Como resolver a questão da caixa inclinada sem calcular todos os volumes?

Perceba que a parte que sai é um prisma de base triangular com a mesma altura (profundidade) da caixa. Como V=Abase⋅h e h não muda, o triângulo tem a mesma fração da área da face frontal que o volume derramado tem do total (aqui, 18).

Dá para achar o seno a partir da tangente sem usar fórmula decorada?

Sim. Desenhe um triângulo retângulo com catetos na razão da tangente (por exemplo, 1 e 2 para tan⁡θ=12), calcule a hipotenusa (5) e leia o seno (oposto sobre hipotenusa, 15). O método vale sempre, ajustando o sinal conforme o quadrante.

O que define um sólido de Platão e quantos existem?

É um poliedro em que todas as faces têm o mesmo número de lados e de todos os vértices parte o mesmo número de arestas. Existem cinco: tetraedro, hexaedro (cubo), octaedro, dodecaedro e icosaedro. Se as faces ainda forem regulares e iguais, o poliedro é regular.

Como contar as arestas de um poliedro que não dá para desenhar?

Some os lados de todas as faces e divida por 2 (cada aresta pertence a duas faces), ou multiplique o número de vértices pelo de arestas que saem de cada um e divida por 2. Combine com a relação de Euler, V−A+F=2.

Qual é a característica de Euler de uma esfera e de um toro?

Para a esfera (e para os poliedros convexos), V−A+F=2. Para o toro, a rosquinha, dá 0. O professor se confunde no começo e corrige depois para esfera 2 e toro 0.

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