Esta aula em 108 minutos: o índice

Atualizado em set/2026. Quem te mostra isso aqui é o Universo Narrado, com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube e quase 2.000 aulas gratuitas de Física e Matemática. Esta página é o capítulo de Geometria Plana da aula, em texto, com o minuto de cada passo. Sem resumo de legenda: é a explicação do professor, editada.

No vídeoO que acontece
10:14:00Introdução: a geometria, as construções e as cinco questões sem desenho
10:16:00Questão 1: circunferência inscrita no triângulo retângulo, tangentes 3 e 7
10:19:00Bissetriz: a definição de gente grande (lugar geométrico)
10:30:00Questão 2: triângulo equilátero inscrito, PB = 3 e PC = 5; ângulo inscrito e central
10:33:00Medida do arco não é comprimento do arco
10:38:00Lei dos cossenos: L = 7 (e por que o triângulo 3-5-8 não existe)
10:46:00Teorema de Ptolomeu: AP = 8 e a área sem conhecer L
10:53:00Quando um quadrilátero é inscritível: ângulos opostos somam 180°
10:59:00Fórmulas de Heron e de Brahmagupta: 16√3 pela terceira vez
11:04:00Questão 3: hexágono equiângulo e a construção do triângulo equilátero grande
11:23:00Questão 4: incentro, reta paralela a BC e semelhança pelos perímetros
11:41:00Questão 5: perímetros iguais, teorema de Stewart e a dedução por duas leis dos cossenos

Circunferência inscrita no triângulo retângulo: tangentes iguais e o truque do r² + 10r

A aula abre com a ideia de que a geometria desenvolve criatividade e senso de beleza (o professor cita Platão: a geometria atrai a alma para a verdade) e anuncia cinco questões, todas lidas sem desenho. Saber montar a figura a partir do texto já é parte da dificuldade.

Primeira questão: uma circunferência inscrita em um triângulo retângulo tangencia a hipotenusa em um ponto que a divide em segmentos de 3 e 7. Qual é a área do triângulo?

A propriedade central é esta: se de um ponto P fora da circunferência saem duas retas tangentes, tocando-a em A e B, então PA=PB. A razão é que, ligando o centro O a P, os raios OA e OB são perpendiculares às tangentes. Surgem dois triângulos retângulos com um cateto igual (o raio) e a hipotenusa OP em comum; pelo Pitágoras, o outro cateto também é igual. Os dois triângulos são congruentes.

Na questão, o vértice do ângulo reto, o centro e os dois pontos de tangência formam um quadrado de lado r. Nos outros dois vértices, os segmentos de tangência repetem o 3 e o 7 ao longo dos catetos. Os catetos medem então r+3 e r+7, e a hipotenusa mede 10.

A área é (r+3)(r+7)2=r2+10r+212. Pelo Pitágoras, 102=(r+3)2+(r+7)2, que dá 100=2r2+20r+58, ou seja, r2+10r=21. Substituindo, a área é 21+212=21.

O professor destaca a malandragem: resolver a quadrática para achar r leva a uma raiz feia, que ainda teria de ser elevada ao quadrado e multiplicada por 10, com risco de erro de conta. Como a área só pede a combinação r2+10r, basta isolá-la direto da equação. Segundo ele, 90% da questão está na propriedade do ponto de tangência; o resto é um Pitágoras.

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Bissetriz como lugar geométrico: a definição que o professor cobra

Aproveitando que os triângulos congruentes da questão anterior mostram que OP divide o ângulo ao meio, o professor faz uma digressão sobre o que é, de fato, uma bissetriz. Ele distingue duas versões. A versão infantil diz que a bissetriz é a semirreta que divide o ângulo no meio. A versão rigorosa diz que a bissetriz é o lugar geométrico dos pontos equidistantes dos dois lados do ângulo.

Para entender, considere dois segmentos PA e PB que se encontram em P. Escolhe-se um ponto qualquer e mede-se a distância até cada lado; distância, aqui, é sempre a menor, isto é, a perpendicular. O conjunto de todos os pontos cujas duas distâncias são iguais forma uma reta: se o ponto estiver mais para um lado, fica mais perto desse lado. Essa reta é a bissetriz. Repare que a definição nem menciona ângulo.

A divisão do ângulo ao meio é uma consequência. Os dois triângulos retângulos formados pelo ponto, o vértice e os pés das perpendiculares têm a mesma hipotenusa e um cateto igual (a distância); logo o outro cateto também é igual, os triângulos são congruentes e os ângulos opostos ao lado igual são iguais.

O professor brinca que esta é a pergunta número um para testar alguém: se a resposta for apenas "divide o ângulo no meio", a pessoa conhece a versão de menino; quem responde com o lugar geométrico passa para a próxima fase. Matematicamente, comenta, é condição necessária, mas não suficiente.

Essa definição reaparece duas vezes no capítulo: na questão 1, o centro da circunferência é equidistante (distância igual ao raio) das duas tangentes, portanto está na bissetriz; e na questão do incentro, em que a definição rigorosa é a chave.

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Triângulo equilátero inscrito: ângulo inscrito, arco e lei dos cossenos

Segunda questão: o triângulo equilátero ABC está inscrito em uma circunferência e o ponto P pertence ao arco BC que não contém A, com PB=3 e PC=5. Qual é a área do quadrilátero ABPC?

O professor alerta para a leitura do texto: "arco BC" pode ser qualquer um dos dois arcos entre B e C, e o enunciado especifica o que não contém A, ou seja, o menor. O quadrilátero fica dividido em dois triângulos: o equilátero ABC e o triângulo BPC.

A propriedade fundamental é a do ângulo inscrito: se o ângulo central que enxerga um arco vale 2θ, qualquer ângulo com vértice na circunferência que enxerga o mesmo arco vale θ. O arco BC mede 120∘ (o ângulo inscrito A vale 60∘, o dobro). O ponto P enxerga o arco maior, de 240∘, então o ângulo BPC^ vale 120∘.

Cuidado com a linguagem: a medida de um arco (em graus) é a abertura do ângulo central e não depende do raio; o comprimento depende. Um arco de 30∘ tem comprimento d=30360⋅2πr (regra de três com a circunferência inteira). Dois arcos de 30∘ em circunferências de raios diferentes têm a mesma medida e comprimentos distintos.

Primeira solução, pelo caminho mais comum: chamando o lado do equilátero de L, a lei dos cossenos no triângulo BPC dá L2=32+52−2⋅3⋅5cos⁡120∘. Como cos⁡120∘=−cos⁡60∘=−12, resulta L2=9+25+15=49 e L=7. Os lados 3, 5 e 7 formam o famoso triângulo 3-5-7, o que tem um ângulo de 120∘.

Na conversa, o apresentador chegou a dizer 3-5-8, e o professor aproveita para mostrar que esse triângulo não existe: o maior lado precisa ser menor que a soma dos outros dois. Imaginando barras articuladas de 3 e 5 sobre o lado de 8, só se fecha com as barras deitadas, o que não forma triângulo. Essa é a desigualdade triangular.

Área: L234+12⋅3⋅5⋅sen 120∘=4934+1534=163, usando a fórmula da área com dois lados e o ângulo entre eles.

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Teorema de Ptolomeu: segunda solução, sem precisar do lado L

Há uma segunda solução para a questão do equilátero inscrito, que usa o teorema de Ptolomeu. O professor reconhece que ele não é estritamente necessário para a FUVEST, mas é simples e pode ser uma carta na manga.

O teorema vale para quadrilátero inscritível, isto é, com os quatro vértices na circunferência: o produto das diagonais é igual à soma dos produtos dos lados opostos. No quadrilátero ABPC, as diagonais são AP e BC, e os pares de lados opostos são BP com AC, e PC com AB. Portanto AP⋅BC=BP⋅AC+PC⋅AB.

Como o triângulo ABC é equilátero, AB=AC=BC=L. A equação fica AP⋅L=3L+5L. Dividindo por L (o lado desaparece), AP=3+5=8. O professor nota que foi esse 8 que gerou a confusão do 3-5-8 mais cedo: 8 é a diagonal AP, não um lado de triângulo.

Com AP=8 a área sai sem conhecer L. Divide-se o quadrilátero pela diagonal AP em dois triângulos. No triângulo APC, o ângulo em P enxerga o arco AC de 120∘, logo vale 60∘; no triângulo ABP, o ângulo em P enxerga o arco AB, também de 120∘, e vale 60∘. Usando a área com dois lados e o ângulo entre eles:

12⋅8⋅5⋅sen 60∘+12⋅3⋅8⋅sen 60∘=(40+24)2⋅32=163.

Os dois caminhos dão o mesmo resultado e têm dificuldade parecida. A lição do professor: ao ver circunferência com triângulo inscrito, lembre dos ângulos inscritos; se aparecer um quadrilátero inscritível, lembre de Ptolomeu.

▶ Ver este trecho no vídeo (10:46:00)

Quadriláteros inscritíveis, fórmula de Heron e fórmula de Brahmagupta

Já que o assunto é o quadrilátero inscritível, o professor pergunta quando um quadrilátero pode ser inscrito em uma circunferência. Um retângulo pode; um losango alongado, não, pois uma circunferência que passasse por três vértices deixaria o quarto de fora.

A razão está nos ângulos inscritos. Em um quadrilátero inscrito, dois ângulos opostos, α e β, enxergam arcos complementares, de 2α e 2β, que juntos fecham a circunferência: 2α+2β=360∘, logo α+β=180∘. Como a soma dos ângulos internos de um polígono de n lados é (n−2)⋅180∘, o quadrilátero soma 360∘, e garantir um par de opostos somando 180∘ garante o outro par. No exemplo, 60∘+120∘=180∘.

A fórmula de Heron calcula a área de um triângulo conhecendo só os três lados a, b, c: A=p(p−a)(p−b)(p−c), com p o semiperímetro. É útil porque dispensa ângulo e altura; o triângulo é rígido (os três lados determinam a forma), então a área só depende deles.

A fórmula de Brahmagupta é a parente para quadrilátero inscritível de lados a, b, c, d: A=(p−a)(p−b)(p−c)(p−d), com p o semiperímetro (sem o fator p do lado de fora).

Aplicada à questão 2, com lados 7, 7, 3 e 5: p=222=11, e A=(11−7)(11−7)(11−3)(11−5)=4⋅4⋅8⋅6=768=163. É a terceira solução para a mesma questão. O professor diz que não é estritamente necessário para a prova, mas que, na estrada que a FUVEST começou a trilhar, convém estar bem armado.

▶ Ver este trecho no vídeo (10:53:00)

Hexágono equiângulo: a construção do triângulo equilátero grande

Terceira questão: um hexágono convexo ABCDEF tem todos os ângulos internos congruentes, com AB=2, BC=3, CD=4 e EF=1. Qual é a sua área? O professor considera a mais difícil de montar do capítulo, porque o hexágono não é regular e não há simetria.

Primeiro passo: a soma dos ângulos internos de um hexágono é (6−2)⋅180∘=720∘, e como os seis são iguais, cada um mede 120∘, como no hexágono regular. Equiângulo não é o mesmo que equilátero; aqui os ângulos são iguais e os lados, não.

Segundo passo, a sacada: prolongar lados alternados. Cada ângulo externo é 180∘−120∘=60∘, então os prolongamentos formam, em cada canto, um triângulo equilátero, e o conjunto delimita um triângulo equilátero grande. Para qualquer hexágono equiângulo essa construção sempre funciona.

O lado do triângulo grande é a soma de três pedaços, e os três lados são iguais. Pela figura da aula, o lado vale 11: um lado do grande é 3+4+4 (triângulo de lado 3, lado CD=4, triângulo de lado 4) e outro é 3+2+x, o que dá x=6 para o lado desconhecido. A conferência fecha: 6+1+4=11.

A área é calculada indiretamente: calcula-se o todo e subtrai-se o que não se quer. Com A=L234 para cada triângulo equilátero, a área do hexágono é 34(112−62−42−32)=34⋅60=153. O professor compara com problemas de combinatória em que é mais fácil contar o total e tirar o que não interessa.

Ele apresenta ainda duas variantes. Na primeira, como os lados opostos continuam paralelos, atravessar a faixa entre duas paralelas pelos dois caminhos exige a mesma componente vertical, e a soma dos lados de um lado é igual à do outro (3+4=x+1, de novo x=6). Na segunda, completa-se um retângulo e subtraem-se quatro triângulos 30∘-60∘-90∘. O método generaliza para o octógono equiângulo, com ângulos de 45∘.

▶ Ver este trecho no vídeo (11:04:00)

O incentro, a reta paralela e a razão de semelhança pelos perímetros

Quarta questão: no triângulo ABC, com AB=8, AC=12 e BC=10, seja I o incentro. A reta que passa por I e é paralela a BC corta AB em M e AC em N. Qual é a medida de MN?

A chave é a definição de bissetriz como lugar geométrico. O incentro é o centro da circunferência inscrita. Se I está na bissetriz de um vértice, então está a mesma distância dos dois lados desse vértice; repetindo para os vértices vizinhos, I fica a mesma distância r dos três lados. Isso mostra, ao mesmo tempo, que as três bissetrizes se encontram em I e que existe uma circunferência de raio r tangente aos três lados.

Agora, ligue I aos vértices B e C: essas retas são bissetrizes. Chamando de α o ângulo IBC^, a paralela MN forma com BI o ângulo alterno interno α também. Em MBI, os ângulos em B e em I são iguais, o triângulo é isósceles e MI=MB. Do mesmo modo, em NIC, NI=NC.

O professor então escolhe o perímetro do triângulo AMN: AM+MI+IN+NA. Substituindo MI=MB e IN=NC, vem (AM+MB)+(AN+NC)=AB+AC=8+12=20. O truque funciona porque o triângulo AMN não tem lado conhecido, mas o perímetro sim.

Como MN∥BC, os triângulos AMN e ABC são semelhantes (ângulo comum e ângulos correspondentes iguais). A razão de semelhança vale para qualquer medida linear correspondente: lados, alturas, raios das circunferências inscritas e circunscritas e perímetros. Pelos perímetros, 2030=23, e então MN10=23, de onde MN=203. Para áreas, a razão seria elevada ao quadrado.

▶ Ver este trecho no vídeo (11:23:00)

Perímetros iguais e o teorema de Stewart (ou duas leis dos cossenos)

Quinta questão: no triângulo ABC, AB=9, AC=11 e BC=10. O ponto D no lado BC é tal que os triângulos ABD e ACD têm o mesmo perímetro. Qual é o comprimento de AD?

A parte fácil: com BD=m e DC=10−m, e AD=x, igualar perímetros dá 9+x+m=11+x+10−m. O x se cancela e resulta 2m=12, logo BD=6 e DC=4. O professor avisa que a conta 21−9 é a mais perigosa da questão.

Caminho comum: aplicar a lei dos cossenos nos dois triângulos. Seja θ o ângulo ADB^; então ADC^=180∘−θ. Como cos⁡(180∘−θ)=−cos⁡θ, as equações são 81=36+x2−12xcos⁡θ e 121=16+x2+8xcos⁡θ. Cada uma tem duas incógnitas, x e θ. Multiplicando a primeira por 4 e a segunda por 6, os termos em xcos⁡θ ficam −48xcos⁡θ e +48xcos⁡θ e se cancelam na soma. O professor observa que esse é o ponto em que muita gente se perde, tentando achar o cosseno desnecessariamente.

Atalho: o teorema de Stewart, válido para qualquer triângulo com uma ceviana AD que divide o lado BC=a em BD=m e DC=n: AB2⋅n+AC2⋅m=a (AD2+m n). O resultado da soma acima é exatamente isso. Uma dica para lembrar: cada termo tem a forma lado ao quadrado vezes um segmento, então todos têm "unidade de metro cúbico".

Aplicando: 92⋅4+112⋅6=10 (x2+6⋅4), ou seja, 324+726=10x2+240. Daí 10x2=810, x2=81 e x=9. O professor defende gastar uns minutos aprendendo a ferramenta, pois a conta fica simples e o conhecimento se paga em questões em que a ceviana é pedida.

▶ Ver este trecho no vídeo (11:41:00)

As fórmulas desta aula

Tangentes a partir de um ponto externo
PA=PB

Quando duas retas tangentes à mesma circunferência saem de um ponto externo $P$ e tocam em $A$ e $B$: os segmentos de tangência são iguais.

Teorema de Pitágoras
a2=b2+c2

No triângulo retângulo, para ligar os catetos à hipotenusa (aqui, $10^2=(r+3)^2+(r+7)^2$).

Bissetriz como lugar geométrico
d(P,lado1)=d(P,lado2) ⇔ P∈bissetriz

Quando um ponto está a mesma distância de dois lados (distância medida pela perpendicular): ele está na bissetriz do ângulo. O incentro usa isso.

Ângulo inscrito e ângulo central
inscrito=12 central=12 arco

Quando um ângulo com vértice na circunferência enxerga um arco; vale para qualquer ponto que enxergue o mesmo arco.

Comprimento de um arco
d=α360∘⋅2πr

Para passar da medida angular de um arco ($\alpha$) ao seu comprimento (regra de três com a circunferência inteira).

Lei dos cossenos
a2=b2+c2−2bccos⁡A^

Para achar um lado conhecendo os outros dois e o ângulo entre eles (aqui, $L^2=3^2+5^2-2\cdot3\cdot5\cos120^\circ$).

Seno e cosseno do suplemento
sen(180∘−θ)=sen θ,cos⁡(180∘−θ)=−cos⁡θ

Para trocar um ângulo obtuso pelo agudo (ex.: $\cos120^\circ=-\tfrac12$) e para eliminar $\cos\theta$ ao somar duas leis dos cossenos.

Desigualdade triangular
a<b+c  (o maior lado eˊ menor que a soma dos outros dois)

Para saber se três medidas formam um triângulo (3, 5, 8 não formam, pois $3+5=8$).

Área do triângulo com dois lados e o ângulo entre eles
A=12 a b sen θ

Quando se conhecem dois lados e o ângulo entre eles, sem altura.

Área do triângulo equilátero
A=L234

Para qualquer triângulo equilátero de lado $L$, incluindo os triângulos auxiliares da construção do hexágono.

Teorema de Ptolomeu
AC⋅BD=AB⋅CD+AD⋅BC

Em quadrilátero inscritível $ABCD$: produto das diagonais igual à soma dos produtos dos lados opostos.

Quadrilátero inscritível
A^+C^=180∘  ⇔  B^+D^=180∘

Para verificar se um quadrilátero cabe em uma circunferência: ângulos opostos suplementares.

Soma dos ângulos internos
Si=(n−2)⋅180∘

Para qualquer polígono de $n$ lados; no equiângulo, cada ângulo é $S_i/n$ (hexágono: $120^\circ$).

Fórmula de Heron
A=p(p−a)(p−b)(p−c),p=a+b+c2

Para a área de um triângulo conhecendo apenas os três lados.

Fórmula de Brahmagupta
A=(p−a)(p−b)(p−c)(p−d),p=a+b+c+d2

Para a área de um quadrilátero inscritível conhecendo os quatro lados.

Razão de semelhança e perímetros
ℓℓ′=2p2p′,AA′=(ℓℓ′)2

Em triângulos semelhantes, qualquer medida linear correspondente (lado, altura, raio, perímetro) tem a mesma razão; áreas, o quadrado dela.

Incentro
I=encontro das bissetrizes internas,d(I,lados)=r

Ponto equidistante dos três lados e centro da circunferência inscrita; liga a bissetriz aos triângulos isósceles com uma paralela a um lado.

Teorema de Stewart
AB2⋅DC+AC2⋅BD=BC (AD2+BD⋅DC)

Para o comprimento de uma ceviana $AD$ que divide o lado $BC$ em $BD$ e $DC$, em qualquer triângulo.

Fichas completas: lei dos cossenos pitagoras proporcao produtos notaveis

As 5 questões resolvidas na aula

Questão 01 · questão de treino do professor, sem desenho (banca e ano não citados)?

Resolvida na aulaquestão de treino do professor, sem desenho (banca e ano não citados)?

Uma circunferência inscrita em um triângulo retângulo tangencia a hipotenusa em um ponto que a divide em dois segmentos de medidas 3 e 7. Qual é a área do triângulo?

  1. Segmentos de tangência a partir de um mesmo ponto são iguais: junto ao ângulo reto, os dois segmentos valem o raio r, e os catetos medem r+3 e r+7.
  2. Hipotenusa: 3+7=10.
  3. Pitágoras: 102=(r+3)2+(r+7)2⇒100=2r2+20r+58⇒r2+10r=21.
  4. Área: (r+3)(r+7)2=r2+10r+212=21+212=21.
Resposta: 21 (unidades de área).

Armadilha: Resolver a quadrática para achar r (raiz feia) e depois elevar ao quadrado: o caminho é longo e propenso a erro. A área só pede r2+10r, que sai direto da equação.

▶ Ver no vídeo (10:16:00)

Questão 02 · questão de treino do professor, sem desenho (banca e ano não citados)?

Resolvida na aulaquestão de treino do professor, sem desenho (banca e ano não citados)?

O triângulo equilátero ABC está inscrito em uma circunferência. O ponto P pertence ao arco BC que não contém A, de modo que PB=3 e PC=5. Qual é a área do quadrilátero ABPC?

  1. BAC^=60∘ enxerga o arco BC de 120∘; P enxerga o arco maior (240∘), logo BPC^=120∘.
  2. Lei dos cossenos em BPC: L2=9+25−2⋅3⋅5⋅(−12)=49, L=7.
  3. Área =L234+12⋅3⋅5⋅sen 120∘=4934+1534=163.
  4. Solução 2 (Ptolomeu): AP⋅L=3L+5L⇒AP=8; com APC^=APB^=60∘: 12⋅8⋅5⋅32+12⋅3⋅8⋅32=163.
  5. Solução 3 (Brahmagupta): lados 7,7,3,5, p=11: 4⋅4⋅8⋅6=163.
Resposta: 163 unidades de área.

Armadilha: Confundir a diagonal AP=8 com um lado e achar que existe um triângulo 3-5-8 (não existe: 3+5=8 viola a desigualdade triangular); e esquecer que o cos⁡120∘ é negativo, o que muda o sinal na lei dos cossenos.

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Questão 03 · questão de treino do professor, sem desenho (banca e ano não citados)?

Resolvida na aulaquestão de treino do professor, sem desenho (banca e ano não citados)?

Um hexágono convexo ABCDEF tem todos os ângulos internos congruentes, com AB=2, BC=3, CD=4, DE=4? e EF=1 (a legenda diz "DEF é 1"; DE=4 foi inferido da solução). Qual é a área do hexágono?

  1. Cada ângulo interno: (6−2)⋅180∘6=120∘.
  2. Prolongar lados alternados: os ângulos externos de 60∘ formam triângulos equiláteros nos cantos e um triângulo equilátero grande.
  3. Lado do grande: 3+4+4=11; também 3+2+x=11⇒x=FA=6; conferência 6+1+4=11.
  4. Área =34(112−62−42−32)=34⋅60=153.
Resposta: 153 unidades de área (conferir o enunciado exato na tela, ver dúvidas).

Armadilha: Tentar dividir o hexágono em triângulos pequenos em vez de construir a figura maior e subtrair; e tratar "equiângulo" como "regular".

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Questão 04 · questão de treino do professor, sem desenho (banca e ano não citados)?

Resolvida na aulaquestão de treino do professor, sem desenho (banca e ano não citados)?

No triângulo ABC, AB=8, AC=12 e BC=10. Seja I o incentro. A reta que passa por I e é paralela a BC intercepta AB em M e AC em N. Qual é a medida de MN?

  1. O incentro está na bissetriz de cada vértice. Com MN∥BC, os ângulos alternos internos mostram MI=MB e NI=NC (triângulos isósceles).
  2. Perímetro de AMN: AM+MI+IN+NA=(AM+MB)+(AN+NC)=AB+AC=20.
  3. Perímetro de ABC: 8+12+10=30. Razão de semelhança: 2030=23.
  4. MNBC=23⇒MN=23⋅10.
Resposta: MN=203

Armadilha: Não conhecer a definição de bissetriz como lugar geométrico e, por isso, não perceber que I gera dois triângulos isósceles; ou usar a razão de semelhança só com lados, esquecendo que perímetros também servem.

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Questão 05 · questão de treino do professor, sem desenho (banca e ano não citados)?

Resolvida na aulaquestão de treino do professor, sem desenho (banca e ano não citados)?

No triângulo ABC, AB=9, AC=11 e BC=10. O ponto D do lado BC é tal que os triângulos ABD e ACD têm o mesmo perímetro. Qual é o comprimento de AD?

  1. Com BD=m, DC=10−m e AD=x: 9+x+m=11+x+10−m⇒m=6; BD=6, DC=4.
  2. Stewart: AB2⋅DC+AC2⋅BD=BC (AD2+BD⋅DC), ou seja, 81⋅4+121⋅6=10 (x2+24).
  3. 324+726=10x2+240⇒10x2=810⇒x2=81.
  4. Alternativa: duas leis dos cossenos com θ e 180∘−θ, multiplicadas por 4 e 6 e somadas (os termos em cos⁡θ se cancelam).
Resposta: AD=9

Armadilha: Errar a aritmética de 21−9 e de 10−9; tentar calcular o cosseno (desnecessário); ou associar o quadrado do lado ao segmento errado (deve ser o segmento oposto).

▶ Ver no vídeo (11:41:00)

Erros que derrubam nota em geometria plana

  1. 01

    Tentar resolver o r da questão 1 pela quadrática em vez

    Tentar resolver o r da questão 1 pela quadrática em vez de isolar r² + 10r direto.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  2. 02

    Esquecer que segmentos de tangência a partir do mesmo ponto

    Esquecer que segmentos de tangência a partir do mesmo ponto externo são iguais.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  3. 03

    Definir bissetriz só como semirreta que divide o ângulo

    Definir bissetriz só como semirreta que divide o ângulo no meio, sem usar a equidistância dos lados quando o problema exige (incentro).

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  4. 04

    Confundir medida de arco

    Confundir medida de arco (graus, depende só do ângulo central) com comprimento de arco (depende do raio).

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  5. 05

    Esquecer que cos 120° = -1/2 e errar o sinal da lei

    Esquecer que cos 120° = -1/2 e errar o sinal da lei dos cossenos.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  6. 06

    Aceitar um triângulo 3-5-8 sem checar a desigualdade

    Aceitar um triângulo 3-5-8 sem checar a desigualdade triangular (3 + 5 = 8 não fecha triângulo).

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  7. 07

    Aplicar Ptolomeu ou Brahmagupta a quadrilátero que não é

    Aplicar Ptolomeu ou Brahmagupta a quadrilátero que não é inscritível.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  8. 08

    Achar que equiângulo implica regular; o hexágono equiângulo

    Achar que equiângulo implica regular; o hexágono equiângulo tem lados diferentes.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  9. 09

    Tentar picar o hexágono em triângulos pequenos em vez

    Tentar picar o hexágono em triângulos pequenos em vez de construir a figura maior e subtrair.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  10. 10

    Na semelhança por perímetros, esquecer que a razão de áreas

    Na semelhança por perímetros, esquecer que a razão de áreas é o quadrado da razão linear.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  11. 11

    Aplicar Stewart ou as duas leis dos cossenos trocando

    Aplicar Stewart ou as duas leis dos cossenos trocando o segmento oposto, ou errar a conta 21 - 9.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.

FAQ: Geometria Plana na FUVEST

Por que dois segmentos de tangência a partir do mesmo ponto são iguais?

Ligando o centro O ao ponto externo P, formam-se dois triângulos retângulos com a hipotenusa OP em comum e um cateto igual ao raio. Pelo Pitágoras, os outros catetos, PA e PB, são iguais. Os triângulos são congruentes e OP é bissetriz do ângulo em P.

Qual é a definição correta de bissetriz?

Segundo o professor, a bissetriz é o lugar geométrico dos pontos equidistantes dos dois lados do ângulo (distância medida pela perpendicular). Dividir o ângulo ao meio é uma consequência, não a definição. Essa visão é essencial para o incentro.

Qual é a diferença entre medida e comprimento de um arco?

A medida é a abertura do ângulo central que enxerga o arco e não depende do raio. O comprimento depende do raio: d=α360∘⋅2πr. Dois arcos de 30∘ em circunferências diferentes têm a mesma medida e comprimentos diferentes.

Quando posso usar o teorema de Ptolomeu?

Somente em quadrilátero inscritível (vértices na circunferência). Nele, o produto das diagonais é igual à soma dos produtos dos lados opostos. O professor lembra que não é estritamente necessário para a FUVEST, mas é simples e economiza conta.

Como saber se um quadrilátero é inscritível?

Basta que dois ângulos opostos somem 180∘; como a soma interna é 360∘, o outro par também soma 180∘. A razão: ângulos inscritos opostos enxergam arcos complementares, que juntos fecham 360∘.

Como calcular a área de um hexágono equiângulo com lados diferentes?

Cada ângulo interno vale 120∘. Prolongando lados alternados, formam-se triângulos equiláteros nos cantos e um equilátero grande. Subtrai-se, da área do grande, as áreas dos pequenos, usando A=L234.

Para que serve o fato de a razão de semelhança valer para perímetros?

Porque qualquer medida linear correspondente (lados, alturas, raios, perímetros) tem a mesma razão. Quando um triângulo semelhante não tem lados conhecidos, mas o perímetro sim, a razão dos perímetros resolve o problema, como na questão do incentro.

Preciso saber o teorema de Stewart ou dá para resolver só com a lei dos cossenos?

Dá para resolver com duas leis dos cossenos (ângulos θ e 180∘−θ, equações multiplicadas e somadas para eliminar o cosseno). O teorema de Stewart é o resultado final desse processo e encurta a conta: b2m+c2n=a(d2+mn).

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