Qual é a Relação de Euler?

Pra qualquer poliedro convexo:

Relação de Euler
V+F=A+2

Vértices + faces = arestas + 2. Uma restrição universal: não existe poliedro convexo que desobedeça.

Atualizado em ago/2026. Quem te mostra isso é o Universo Narrado, com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube. Esta fórmula leva o selo Demonstrável: foi provada a partir do que já estava estabelecido — a pergunta certa é "como chegamos aqui?" Sobre esta classificação: os volumes publicados do Guia cobrem Mecânica (cinemática, dinâmica, energia, gravitação e fluidos) e Matemática básica (aritmética, combinatória e probabilidade) — esta fórmula é de outra área. O selo acima aplica o mesmo critério do livro, e é da equipe do blog. Entenda os selos.

O que significa cada símbolo?

Três contagens — e o cuidado de não trocar as letras:

SímboloO que éUnidade / observação
Vnúmero de vértices (as “quinas”)contagem
Fnúmero de faces (as superfícies planas)contagem
Anúmero de arestas (os “segmentos” entre faces)contagem

De onde vem a fórmula?

A pergunta é: por que essa soma fecha sempre? A prova completa é sofisticada (Euler publicou em 1758, e a primeira prova rigorosa veio depois), mas a ideia é linda: amasse o poliedro num plano, sem rasgar. Vira um mapa de países. Aí remova aresta por aresta, mantendo o balanço V − A + F — ele não muda em nenhuma remoção, e no fim sobra 2.

Na prática de prova, a Relação vem acompanhada de um truque de contagem: somando os lados de todas as faces, cada aresta é contada DUAS vezes (uma por face vizinha). Ou seja, 2A=lados das faces — é essa equação auxiliar que destrava as questões.

A equação auxiliar da contagem
2A=3F3+4F4+5F5+

F₃ triângulos contribuem 3 lados cada, F₄ quadriláteros 4, e cada aresta foi contada em dobro.

Você pode estar pensando: “por que dividir por 2 na contagem das arestas?” Porque toda aresta é compartilhada por exatamente duas faces. Ao somar os lados de todas as faces, você percorre cada aresta duas vezes — uma por cada face vizinha. Dividir por 2 desfaz a contagem dobrada. É o mesmo raciocínio de contar apertos de mão numa sala: some os apertos de cada pessoa e divida por 2, porque cada aperto envolve duas.

Selo Demonstrável — pra poliedros convexos. Não convexos podem desobedecer (é a topologia entrando em cena: um poliedro com “buraco” de rosquinha fecha em V + F = A, sem o 2).

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Quando usar (e quando não)?

Use quando o problema der duas das três contagens e pedir a terceira — ou quando der o TIPO das faces (“20 faces triangulares”) e pedir vértices: aí entra a auxiliar 2A = soma dos lados.

Também serve de detector de pegadinha: um “poliedro” anunciado com V + F ≠ A + 2 não existe como convexo.

A Relação vale garantidamente pra poliedros CONVEXOS. Sólidos com reentrâncias podem valer ou não; com “buraco” topológico (tipo moldura), definitivamente não. Se a questão foge do convexo, desconfie do enunciado, não da fórmula.

Exemplo resolvido

Antes da conta, prevê pelo cubo: nele, 6 faces dão 12 arestas e 8 vértices. Com 20 faces — mais que o triplo — as arestas devem passar de 30 e os vértices ficar na casa da dezena. Vamos ver se a Relação confirma:

🪖 IntermediárioO icosaedro sem desenhar

Um poliedro convexo tem 20 faces, todas triangulares. Quantas arestas e quantos vértices ele tem?

  1. Arestas pela contagem dupla: 2A=203=60A=30.
  2. Euler: V+F=A+2V+20=30+2.
  3. V=12.
A=30 arestas e V=12 vértices — é o icosaedro

Verificação: o balanço fecha: 12 + 20 = 32 = 30 + 2. E o sólido existe de verdade — é o icosaedro, o d20 do RPG. E se as 20 faces fossem quadradas em vez de triangulares? A contagem dupla daria 2A = 80, logo A = 40, e Euler entregaria V = 22. Mesma Relação, outro tipo de face, outro sólido.

Quais os erros mais comuns?

  1. 01

    Trocar arestas com faces

    Escrever V + A = F + 2 embaralha a contabilidade e ainda “fecha” em alguns casos por coincidência — o pior tipo de erro.

    Como evitar: memorize pelo cubo: 8 + 6 = 12 + 2. Três segundos de teste desmascaram qualquer troca.
  2. 02

    Esquecer a contagem dupla das arestas

    Somar os lados das faces e chamar de A (em vez de 2A) dobra as arestas e quebra tudo dali em diante.

    Como evitar: toda aresta separa exatamente duas faces — por isso a soma dos lados conta cada uma duas vezes.
  3. 03

    Aplicar a poliedro não convexo sem checar

    Numa moldura fechada (buraco de rosquinha), V + F = A — sem o 2. A fórmula não é universal.

    Como evitar: a garantia é só pra convexos. Fora deles, teste com a contagem explícita antes de confiar.

FAQ: perguntas sobre a Relação de Euler

Qual é a Relação de Euler?

V+F=A+2: em todo poliedro convexo, vértices mais faces é igual a arestas mais 2. Cubo: 8 + 6 = 12 + 2.

Como calcular as arestas pelo tipo das faces?

Pela contagem dupla: 2A = soma dos lados de todas as faces. 20 triângulos → 2A = 60 → A = 30.

A Relação de Euler vale pra todo poliedro?

Garantidamente só pros convexos. Poliedros com “buraco” topológico desobedecem — vale V + F = A, sem o 2.

Pra que serve a Relação de Euler na prova?

Pra achar a contagem que falta (V, F ou A) e pra verificar se um poliedro descrito pode existir. É contagem, não visualização — não precisa desenhar.

Quais são os poliedros de Platão?

Tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e icosaedro — os únicos convexos regulares. Todos, claro, obedecem a Euler.

Por que dividir por 2 ao contar as arestas pelas faces?

Porque cada aresta é compartilhada por exatamente duas faces, então somar os lados de todas as faces conta cada aresta duas vezes. É a mesma lógica de contar apertos de mão: soma os de cada pessoa e divide por 2.

Dá para achar as arestas contando pelos vértices?

Dá, quando todos os vértices têm o mesmo grau: 2A=V×grau. Mesma contagem dupla, olhando do outro lado — cada aresta liga exatamente dois vértices.

Por que o estudo se concentra em poliedros convexos?

Porque é neles que a Relação vale sempre. Em não convexos a garantia cai, e a resposta passa a depender da topologia do sólido — assunto muito além do que a prova cobra.

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