Esta aula em 28 minutos: o índice

Atualizado em set/2026. Quem te mostra isso aqui é o Universo Narrado, com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube e quase 2.000 aulas gratuitas de Física e Matemática. Esta página é o capítulo de Função do Segundo Grau da aula, em texto, com o minuto de cada passo. Sem resumo de legenda: é a explicação do professor, editada.

No vídeoO que acontece
05:28:30Questão: posição em t = 1,5 s
05:29:00Erro: média aritmética dá 10
05:33:00Força constante, MUV e parábola
05:34:00Esboço pelos três pontos dados
05:36:00Concavidade e sinal de a
05:37:00Soma e produto das raízes
05:41:00Forma fatorada a(x − r₁)(x − r₂)
05:44:00Por que soma e produto funcionam
05:48:00Escrevendo S(t) com raízes 0 e 2
05:51:00Calculando S(3/2) = 15 m
05:55:00Vantagem: uma incógnita em vez de três

Como o ENEM cobra função do segundo grau

O professor apresenta o tema como ideia que aparece mesmo em questões que não falam explicitamente de função do segundo grau, aqui disfarçada em um problema de física (força constante, MUV). A pegadinha da questão é o raciocínio da média aritmética, que supõe relação linear. Ele não cita estatística de recorrência.

Antes desta aula, vale ter em dia:

  • Equação do segundo grau e fórmula de Bhaskara
  • Gráfico de uma função e leitura de pontos
  • Ideia de movimento uniformemente variado (opcional, só para o contexto)

O mapa mental da aula

Mapa mental 'Função do Segundo Grau' em quatro quadrantes: forma ax²+bx+c com concavidade, soma e produto das raízes, fatoração a(x−r₁)(x−r₂) e a questão modelo ENEM da partícula com S(t) = −20t(t−2).
Mapa mental da aula 12: Função do Segundo Grau. Clique para ampliar.

O que o mapa destaca:

  • f(x) = ax² + bx + c (a ≠ 0): a > 0 concavidade para cima, a < 0 para baixo
  • Soma e produto: f(x) = x² − Sx + P; exemplos x² − 6x + 8 (raízes 4 e 2) e x² + 2x − 15 (raízes 3 e −5)
  • Fatoração f(x) = a(x − r₁)(x − r₂), com a = 1 desenvolvida até x² − Sx + P
  • Questão ENEM: força constante (F = m·a, a constante) implica MUV, logo parábola
  • S(t) = a·t·(t − 2); S(1) = 20 dá a = −20; S(t) = −20t(t − 2)
  • S(3/2) = −30·(−1/2) = 15 m

A questão da posição em t = 1,5 s e o erro da média aritmética

A aula abre com uma questão no modelo ENEM, com um toque de interdisciplinaridade. Um estudante anotou a posição de uma partícula ao longo do tempo, sob a ação de uma força constante, e registrou os dados em uma tabela. Em t=0 a partícula está na posição 0; em t=1 s, na posição 20; em t=2 s, de volta à posição 0. Pergunta-se a posição em t=1,5 s.

O raciocínio tentador é perceber que 1,5 está exatamente no meio do caminho entre 1 e 2 e concluir que a posição também está no meio entre 20 e 0. A média aritmética dá 10, e o aluno corre para marcar essa alternativa. O professor diz que esse é o erro em que o aluno cai "deliciosamente": o enunciado foi feito para atrair essa conta.

O erro de fundo é supor, sem dizer, que a relação entre tempo e posição é linear, isto é, que as grandezas são diretamente proporcionais. Para mostrar isso, ele desenha um gráfico de posição por tempo com uma curva qualquer, que sobe depressa entre t=1 e t=2. O ponto da curva em t=1,5 não fica na metade da altura entre os dois pontos conhecidos, ainda que 1,5 esteja na metade do eixo do tempo.

O ponto médio só vale quando a relação é de reta. Nesse caso, uma semelhança de triângulos garante que a projeção do ponto médio divide o segmento em dois pedaços iguais. Fora disso, não há garantia nenhuma. Antes de calcular, portanto, é preciso descobrir que tipo de relação liga as duas grandezas, e é isso que o enunciado entrega ao mencionar a força constante.

▶ Ver este trecho no vídeo (05:28:00)

Força constante, MUV e a parábola: por que é função do segundo grau

A pista está na expressão "força constante". Pela segunda lei de Newton, F=ma, e como a massa é constante, uma força constante implica aceleração constante. Movimento com aceleração constante é o movimento uniformemente variado (MUV).

No MUV, a posição não depende do tempo de forma linear: ela depende de t2. A relação entre posição e tempo é, portanto, uma função do segundo grau, e seu gráfico é uma parábola. O professor lembra que a questão é de matemática e que não seria necessário decorar a equação horária da física, só reconhecer que a relação é quadrática. É por isso que a média aritmética está errada.

O próximo passo é esboçar a curva com os três pontos dados: (0, 0), (1, 20) e (2, 0). A parábola começa em zero, volta a zero em t=2 e, em t=1, bem no meio entre esses dois instantes, está no ponto mais alto, a 20. O esboço não é obrigatório, mas ajuda a visualizar o problema, e t=1,5 cai entre o ponto mais alto e a segunda raiz.

Um aluno poderia perguntar como se sabe que a concavidade é para baixo. A resposta é que não existe parábola de concavidade para cima passando por esses três pontos: com dois pontos na altura 0 e um terceiro acima deles, só uma curva aberta para baixo os conecta. Esse detalhe voltará na conta, no sinal do coeficiente a.

▶ Ver este trecho no vídeo (05:33:00)

Revisão: forma ax² + bx + c, concavidade e a relação de soma e produto

Uma função do segundo grau tem a forma f(x)=ax2+bx+c com a≠0: se a fosse zero, o termo quadrático desapareceria e a função cairia no primeiro grau. O sinal de a define a concavidade: com a>0 a parábola abre para cima; com a<0, para baixo. A parábola desenhada na questão exige, portanto, um a negativo.

Para achar as raízes, além da fórmula de Bhaskara, existe a relação de soma e produto. Quando a=1, a função se escreve como x2−Sx+P, em que S é a soma das raízes e P é o produto. Repare no sinal: o termo que acompanha x é −S, e por isso o coeficiente que aparece é a soma com o sinal trocado.

O professor dá dois exemplos. No primeiro, o termo independente é 8 e a soma é 6 (a função é x2−6x+8): procuram-se dois números que multiplicados dão 8 e somados dão 6, e a resposta, de cabeça, é 4 e 2. No segundo, o produto é −15 e a soma é −2 (a função é x2+2x−15, porque o coeficiente de x é −S=+2): os números são 3 e −5, pois 3⋅(−5)=−15 e 3+(−5)=−2.

Ele garante que o resultado bate com o de Bhaskara e que o método economiza tempo, mesmo quem não o conhecia pode adotá-lo. A relação, porém, funciona de cabeça apenas quando as raízes são números inteiros simples.

▶ Ver este trecho no vídeo (05:36:00)

A forma fatorada f(x) = a(x − r₁)(x − r₂) e por que ela vale

A parte que o professor considera mais interessante é a fatoração. Se r1 e r2 são as raízes de uma função do segundo grau, ela sempre pode ser escrita como f(x)=a (x−r1)(x−r2), em que a é o coeficiente que acompanha x2.

A justificativa é a definição de raiz: valor de x que zera a função. Se se coloca x=r1, o primeiro fator vira r1−r1=0, e zero multiplicado por qualquer coisa dá zero. Com x=r2, é o segundo fator que se anula, pois r2−r2=0. Logo, os dois valores são mesmo raízes. Além disso, o número a pode ser qualquer um (3, 5, 10, 20) sem alterar essas raízes, já que quem zera a função são os parênteses.

Como extra, o professor faz a distributiva com a=1: (x−r1)(x−r2)=x2−r1x−r2x+r1r2. Colocando −x em evidência nos termos do meio, fica x2−(r1+r2) x+r1r2. É exatamente x2−Sx+P: a soma das raízes e o produto das raízes. Está aí a razão de a relação de soma e produto funcionar.

A conclusão é prática. Quando as duas raízes são conhecidas, a forma fatorada é um jeito muito simples de escrever a função, e sobra descobrir apenas o valor de a.

▶ Ver este trecho no vídeo (05:41:00)

Resolvendo a questão: S(t) = −20·t·(t − 2) e a posição 15 m

Na questão, a posição é S e a variável é t. As duas raízes são conhecidas: a posição vale zero em t=0 e em t=2. A função fica S(t)=a (t−0)(t−2)=a t (t−2), com a ainda desconhecido.

Para achar a, usa-se o terceiro ponto: em t=1, a posição é 20. Substituindo, S(1)=a⋅1⋅(1−2)=−a, e isso vale 20. Logo, a=−20. O sinal negativo é o esperado: a concavidade da parábola é para baixo, como no esboço. A função é S(t)=−20 t (t−2).

Agora calcula-se S(1,5). O professor prefere trabalhar com a fração, t=3/2, e, ao fazer a conta, esqueceu o fator −20 na lousa e o corrigiu logo depois, dizendo que testava a atenção do aluno. Com ele: S(3/2)=−20⋅32⋅(32−2). O primeiro produto, −20⋅32, dá −30; o parêntese vale −0,5; e −30⋅(−0,5)=15.

Em t=1,5 s, a posição é 15 m, e a alternativa correta, segundo o professor, é a letra B. O valor está bem acima dos 10 da média aritmética, o que confirma que a relação não é linear. O professor também avisa que o PDF da aula trazia o gabarito errado e pede a correção.

▶ Ver este trecho no vídeo (05:48:00)

A vantagem da forma fatorada: uma incógnita em vez de três

Fechando a questão, o professor destaca o ganho de tempo. Escrevendo a função como ax2+bx+c, é preciso descobrir três números: a, b e c. Para isso seriam necessários três dados, e a conta de resolver o sistema que sairia deles é trabalhosa.

Na forma a (x−r1)(x−r2) também há, em tese, três números a conhecer: a, r1 e r2. A diferença é que a questão já entrega as duas raízes, quando informa os dois instantes em que a posição é zero. Sobra então um único valor a determinar, o a, e um único ponto extra basta.

Troca-se, assim, um problema de três incógnitas por um problema de uma. Soma e produto, mais a forma fatorada, formam o que o professor chama de revisão rica, que otimiza a vida do aluno. Vale lembrar que, mesmo sem usar o método, Bhaskara continua funcionando; a forma fatorada é só o caminho mais curto quando as raízes aparecem no enunciado.

▶ Ver este trecho no vídeo (05:54:00)

As fórmulas desta aula

Função do segundo grau
f(x)=ax2+bx+c,a≠0

Para reconhecer a relação quadrática; $a > 0$ dá concavidade para cima e $a < 0$, para baixo.

Soma e produto das raízes (a = 1)
x2−Sx+P=0,r1+r2=S,r1r2=P

Para achar de cabeça raízes inteiras simples, sem Bhaskara.

Forma fatorada
f(x)=a (x−r1)(x−r2)

Quando as duas raízes são conhecidas: só resta descobrir $a$ com um ponto extra.

Desenvolvimento da forma fatorada (a = 1)
(x−r1)(x−r2)=x2−(r1+r2) x+r1r2

Para justificar por que soma e produto funcionam.

Fichas completas: bhaskara vertice da parabola mruv segunda lei de newton produtos notaveis

As 1 questões resolvidas na aula

Questão 01 · questão modelo ENEM (enunciado do mapa mental)

Resolvida na aulaquestão modelo ENEM (enunciado do mapa mental)

Um estudante anotou a posição ao longo de um tempo de uma partícula que se movia sob a ação de uma força constante, registrando os dados na tabela: em t=0 s, posição 0 m; em t=1 s, posição 20 m; em t=2 s, posição 0 m. Podemos dizer que a posição do móvel em t=1,5 segundos foi: a) 10 m b) 15 m c) 1 m d) 0,75 m e) 0,5 m

  1. Força constante implica aceleração constante (MUV): a posição é função do segundo grau do tempo, não linear.
  2. Raízes conhecidas: t=0 e t=2. Logo S(t)=a t (t−2).
  3. Usar S(1)=20: a⋅1⋅(−1)=20, então a=−20 (concavidade para baixo, como esperado).
  4. S(t)=−20 t (t−2).
  5. Calcular em t=3/2: S=−20⋅32⋅(−12)=15.
Resposta: b) 15 m

Armadilha: Tirar a média entre 20 e 0 porque 1,5 está no meio de 1 e 2: dá 10, mas só valeria se a relação entre tempo e posição fosse linear.

▶ Ver no vídeo (05:28:30)

Erros que derrubam nota em função do segundo grau

  1. 01

    Supor relação linear entre tempo e posição e usar a média

    Supor relação linear entre tempo e posição e usar a média aritmética (10 em vez de 15).

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  2. 02

    Esquecer o coeficiente $a$

    Esquecer o coeficiente a (aqui −20) ao substituir na forma fatorada, como o professor fez de propósito na lousa.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  3. 03

    Errar o sinal na soma das raízes

    Errar o sinal na soma das raízes: no formato x2−Sx+P, o termo que acompanha x é −S.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.
  4. 04

    Trocar o sinal de $a$ e esboçar a concavidade errada

    Trocar o sinal de a e esboçar a concavidade errada: três pontos com dois deles na altura zero e o terceiro acima exigem concavidade para baixo.

    Como evitar: Refaça o passo com a fórmula na frente e confira a unidade ou o intervalo do resultado antes de marcar.

FAQ: Função do Segundo Grau no ENEM

Por que a média aritmética não dá a resposta da questão?

Porque a média entre 20 e 0 só vale quando a relação entre tempo e posição é linear. Com força constante o movimento é uniformemente variado e a posição é uma função do segundo grau, cujo gráfico é uma parábola.

Como saber o sinal de a em uma função do segundo grau?

Pelo gráfico: concavidade para cima indica a>0 e para baixo indica a<0. Na questão, o esboço pelos três pontos só fecha com concavidade para baixo, então a é negativo, e a conta confirma a=−20.

Como funciona a relação de soma e produto das raízes?

Quando a=1, a função é x2−Sx+P, em que S é a soma das raízes e P é o produto. Procuram-se dois números com essa soma e esse produto: por exemplo, produto 8 e soma 6 dão as raízes 4 e 2.

Por que posso escrever f(x) = a(x − r₁)(x − r₂)?

Porque x=r1 zera o primeiro parêntese e x=r2 zera o segundo, e zero vezes qualquer número é zero. Assim, r1 e r2 são raízes, e a pode ser qualquer número diferente de zero.

Qual a vantagem da forma fatorada sobre ax² + bx + c?

Na forma comum é preciso descobrir três números: a, b e c. Se o enunciado já dá as duas raízes, a forma fatorada deixa só a por descobrir, e um ponto extra basta.

Como achar o a quando as raízes são conhecidas?

Substitua na forma fatorada um ponto conhecido da curva que não seja raiz. Na questão, S(1)=20 dá a⋅1⋅(1−2)=20, logo a=−20.

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