Qual é a fórmula da dilatação linear?
Para uma barra, um fio ou um trilho — um corpo em que o comprimento domina — vale a fórmula linear. Para chapas, vale a superficial; para blocos e líquidos, a volumétrica. As três têm o mesmo molde: tamanho inicial vezes coeficiente vezes variação de temperatura.
Quanto o comprimento varia: proporcional ao tamanho inicial , ao coeficiente linear e ao aquecimento .
Para chapas e placas. O coeficiente superficial é o dobro do linear.
Para blocos, tanques e líquidos. O coeficiente volumétrico é o triplo do linear.
Atualizado em nov/2026. Quem te mostra isso é o Universo Narrado, com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube. Esta fórmula leva o selo Experimental: nasceu de medição: a natureza tem a palavra final — a pergunta certa é "que experimento sustenta isso?" Demonstrável: foi provada a partir do que já estava estabelecido — a pergunta certa é "como chegamos aqui?" Sobre esta classificação: os volumes publicados do Guia cobrem Mecânica (cinemática, dinâmica, energia, gravitação e fluidos) e Matemática básica (aritmética, combinatória e probabilidade) — esta fórmula é de outra área. O selo acima aplica o mesmo critério do livro, e é da equipe do blog. Entenda os selos.
O que significa cada símbolo?
Três tamanhos, um coeficiente e uma variação de temperatura:
| Símbolo | O que é | Unidade / observação |
|---|---|---|
| variação do comprimento (quanto a barra cresceu) | m, cm ou mm — a mesma unidade de | |
| comprimento inicial, antes do aquecimento | m, cm ou mm | |
| coeficiente de dilatação linear — propriedade do material | °C⁻¹ (valores típicos de sólidos: 10⁻⁶ a 10⁻⁵ °C⁻¹) | |
| variação de temperatura (final menos inicial) | °C ou K — uma variação vale o mesmo nas duas escalas | |
| coeficientes superficial e volumétrico | °C⁻¹, com e |
De onde vem a fórmula?
A fórmula linear nasceu de medição: aquece-se barras de materiais diferentes, mede-se quanto crescem e se vê o padrão — o dobro do comprimento inicial dá o dobro de dilatação, o dobro do aquecimento também, e cada material tem o seu fator. O é justamente esse fator, medido em laboratório. Por trás está o modelo microscópico: átomos mais agitados vibram com amplitude maior e a distância média entre eles aumenta.
Já o 2 e o 3 não se medem: se deduzem. Pegue uma chapa quadrada de lado , com área . Aquecida em , cada lado vira e a área nova é o quadrado disso. Expandindo, aparece o termo , que é desprezível: com alumínio () e , e o quadrado dele é 0,0000053, mais de 400 vezes menor.
Para o volume, a conta é igual, com um cubo no lugar do quadrado. O 2 conta as duas dimensões que dilatam ao mesmo tempo; o 3 conta as três.
Cortando o termo em , sobra , ou seja, .
Os termos com e são centenas e milhares de vezes menores. Sobra .
O padrão que fica é fácil de guardar: 1 dimensão, ; 2 dimensões, ; 3 dimensões, . O coeficiente conta dimensões. No exemplo do alumínio acima, o erro de jogar fora o termo quadrático é de cerca de 0,03% — invisível em qualquer medida real.
Selos Experimental e Demonstrável — a lei linear e os valores de vêm de medição em laboratório; as relações e são deduzidas dela, com a aproximação de desprezar os termos de ordem maior.
Quando usar (e quando não)?
Use a linear quando uma dimensão domina (trilho, fio, barra, viga); a superficial para chapas e o que importa é a área (um furo numa chapa também cresce, como se fosse do mesmo material); a volumétrica para blocos e, principalmente, líquidos — que só têm dilatação de volume. A fórmula vale para variações moderadas de temperatura, em que o pode ser tratado como constante.
Se o líquido está num recipiente, o que você enxerga é a dilatação aparente: . E a água é exceção: entre 0 °C e 4 °C ela contrai ao ser aquecida, então a fórmula não descreve esse trecho.
A pegadinha número 1: o enunciado pede a dilatação de área ou de volume, mas dá o coeficiente linear — e você usa direto. Converta antes: para área e para volume.
Exemplo resolvido
Antes da conta, prevê a ordem de grandeza: com e , a fração de crescimento é , isto é, cerca de 0,14%. Em 2 m, isso dá perto de 3 mm. Guarda isso e confere no fim:
Uma barra de alumínio tem 2,0 m de comprimento a 20 °C. Qual é a dilatação quando ela é aquecida até 80 °C? (α do alumínio = 23 × 10⁻⁶ °C⁻¹)
- Variação de temperatura: .
- Substituindo: .
- Multiplicando: e .
Verificação: bateu com a previsão de cerca de 3 mm. E se fosse uma barra de aço ()? A conta daria — metade: o alumínio dilata cerca do dobro do aço, no mesmo comprimento e no mesmo aquecimento. E se o comprimento inicial dobrasse, a dilatação também dobraria: é proporcional.
Quais os erros mais comuns?
- 01
Usar o coeficiente linear na área ou no volume
Se o problema pergunta a dilatação de uma chapa ou de um tanque e você aplica direto, subestima a dilatação (por um fator 2 ou 3).
Como evitar: identifique a dimensão que a pergunta cobra e converta: área pede ; volume pede . - 02
Achar que o furo encolhe quando a chapa dilata
A chapa dilata em todas as direções, inclusive as bordas do furo, que se afastam. O furo cresce como se fosse feito do mesmo material da chapa.
Como evitar: trate o furo como um disco do mesmo material: onde há vazio, a dilatação acompanha a da chapa. - 03
Confundir ΔL com o comprimento final
A fórmula entrega a variação do comprimento, não o comprimento final. Responder 2,76 mm quando se pede o tamanho da barra depois do aquecimento erra a grandeza.
Como evitar: termine sempre com quando a pergunta pedir o comprimento final.
FAQ: perguntas sobre a dilatação linear
Qual é a fórmula da dilatação linear?
: a variação de comprimento é o comprimento inicial vezes o coeficiente de dilatação linear do material vezes a variação de temperatura.
Qual é a relação entre os coeficientes de dilatação?
e . O coeficiente superficial é o dobro do linear e o volumétrico é o triplo, porque a área dilata em duas dimensões e o volume em três.
Por que se pode desprezar o termo com α²?
Porque é muito pequeno. No alumínio, com aquecimento de 100 °C, vale 0,0023; o quadrado dele é mais de 400 vezes menor e muda o resultado em cerca de 0,03%.
Qual é a unidade do coeficiente de dilatação?
O inverso da temperatura: °C⁻¹ (ou K⁻¹, que é equivalente para variações). Os valores típicos de sólidos ficam na ordem de 10⁻⁶ a 10⁻⁵ °C⁻¹.
Posso usar ΔT em Kelvin ou em Celsius?
Pode usar qualquer um: uma variação de 60 °C é igual a uma variação de 60 K, porque o grau tem o mesmo tamanho nas duas escalas. Não é preciso converter.
O furo da chapa aumenta ou diminui quando ela é aquecida?
Aumenta. A chapa dilata em todas as direções, e as bordas do furo se afastam entre si, como se o furo fosse um disco do mesmo material.
Como calcular a dilatação de um líquido num recipiente?
O que se vê é a dilatação aparente: . Use o coeficiente volumétrico do recipiente, que é do material dele.
Por que os trilhos e as pontes têm folgas?
Porque o material cresce no calor, e a dilatação soma ao longo do comprimento. As juntas de dilatação reservam espaço para esse crescimento sem empenar a estrutura.
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