Qual é a questão mais difícil do ITA?
Aqui eu resolvo ela por escrito, passo a passo, o diagrama de forças, o equilíbrio, o teto do atrito e o ângulo de 45° que a simetria entrega de graça. É o que o vídeo antigo nunca mostrou em texto.
Fica comigo que eu te garanto que eu vou te fazer entender a questão mais difícil do ITA. Tudo começou com um inscrito que me mandou: resolve essa que é a mais difícil. Virou uma série inteira de desafios do ITA e do IME, e você sai daqui sem decorar fórmula nenhuma.
Atualizado em jul/2026. Quem resolve isso aqui é o Universo Narrado, com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube. A régua é sempre a mesma: entender a questão, não decorar a resposta.
Por que o ITA é tão difícil?
O ITA, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, é o vestibular de engenharia mais duro do Brasil. E a prova de exatas dele tem fama merecida: a do ITA de 2014, pra quem já é do meio, foi nível satanás, nem o capeta conseguiu fazer 100% dessa prova.
O que torna a prova monstruosa não é decoreba. É que ela cobra física e matemática juntas, misturadas, e exige que você entenda o fenômeno e ainda dê conta da conta pesada por trás.
De onde eu falo isso: dei aula em pré-vestibular por quase dez anos, incluindo turmas de concursos militares, então sei exatamente onde essa prova aperta.
Se você vem do ENEM e bateu o olho aqui achando que tá muito atrás, calma. A diferença não é você ser burro, é que o ITA pede um nível de raciocínio que quase nenhuma escola treina. Antes de resolver a questão, vale saber onde você tá pisando.
O enunciado da questão do ITA 2004
A questão que abriu tudo é uma questãozinha do ITA de 2004, uma questão até antiga, velho. O enunciado é esse: um atleta mantém-se suspenso em equilíbrio forçando as mãos contra duas paredes verticais perpendiculares entre si.
O enunciado, na íntegra: "Um atleta mantém-se suspenso em equilíbrio forçando as mãos contra duas paredes verticais perpendiculares entre si." Os dados: as paredes fazem 90° entre si, o corpo é simétrico em relação ao canto, os braços ficam na horizontal, e são dados a massa do atleta e o coeficiente de atrito estático . O comando é um só: o módulo mínimo da força que o atleta faz em cada parede.
Repara na palavra mínimo, ela é o coração da pegadinha, e a gente volta nela lá na frente. Antes de montar qualquer equação, lê o enunciado duas vezes: metade das questões do ITA se perde na interpretação, não na conta.
Quais forças agem sobre o atleta?
Antes de qualquer equação, a pergunta certa é: de onde vem essa força? O cara está em contato com a parede, e é aí que quase todo mundo tropeça.
A distinção que não pode passar. A força que o atleta faz na parede e a força que a parede faz nele são iguais e opostas, terceira lei de Newton, ação e reação. Não são a mesma coisa, e misturar as duas é onde a questão trava.
Olhando um braço só (o problema é simétrico, então o que rola de um lado rola do outro), essas são as forças em jogo:
, puxando pra baixo
O peso do atleta, sempre pra baixo, é a força que o atrito precisa segurar.
segura no ar
O atleta empurra a parede pra baixo, a parede reage e empurra ele pra cima. É essa força de atrito, , que sustenta o peso.
Decomposta em e
, a força que ele faz empurrando a parede na direção do braço, não é só normal: vista de cima, ela vira uma normal e um atrito .
E aqui mora a sacada: se você não separa a normal do atrito nessa componente , a questão não fecha.
Como montar as equações de equilíbrio?
Equilíbrio, na linguagem das leis de Newton, significa uma coisa só: o somatório das forças que atuam nele é zero. Ele não sobe, não desce, não vai pra lado nenhum.
Na vertical, as duas forças de atrito que apontam pra cima (uma em cada mão) seguram o peso:
Já sai de cara: é metade do peso.
Agora o pulo que a simetria te dá de graça:
De onde sai o 45°. Como as paredes fazem 90° entre si e o corpo é simétrico, o triângulo das componentes da força é retângulo isósceles. Se já tenho noventa, por simetria cada componente fica exatamente no meio: 45°. Esse ângulo não caiu do céu, ele saiu da figura.
E o 45° tem uma consequência linda: o seno de 45° é igual ao cosseno de 45°, então as duas componentes de são iguais.
É ele que vai deixar a conta redonda no próximo passo.
Como o atrito define a força mínima?
Agora o pulo do gato. O atrito estático não é um número fixo, ele tem um teto. A força de atrito estático máxima é vezes a normal, e é aí que entra a treta.
O pulo do gato. "Mínimo" não é um enfeite no enunciado, é o caso-limite, quando o atrito está colado no teto , o atleta quase escorregando. Trocar o por é o que resolve a questão.
O atrito que entra na conta é o resultante naquela parede, a soma vetorial de com . Por Pitágoras, esse resultante tem que ser menor ou igual a :
Eleva os dois lados ao quadrado (são grandezas positivas, a desigualdade se mantém), substitui e , troca o pelo no caso-limite, e isola. Essa é a alternativa correta.
Fim. Você chegou nela sem decorar fórmula nenhuma.
Essa questão é física ou matemática?
As duas ao mesmo tempo, e é aí que mora a treta. A física monta o problema, mas quem entrega a resposta é a matemática. Nessa questão foi a trigonometria do 45° e o Pitágoras das componentes de força.
E não é só aqui. Numa outra questão-desafio, do ITA 2013, um helicóptero e um avião se cruzam e a banca quer o instante de distância mínima entre os dois. Você monta a distância por Pitágoras e chega numa expressão que dá o quadrado da distância pra qualquer tempo, uma função do segundo grau. Vejo essa resolução completa, por dois caminhos diferentes, no vídeo A questão + DIFÍCIL do ITA · Mudança de referencial.
é o quadrado da distância entre os dois: uma função do segundo grau em . Aquela parábola tem um ponto de mínimo, e o do vértice te dá exatamente o instante de distância mínima. Olha que doido, velho.
Em outra, do ITA 2019, o ângulo de um objeto que se move perto da velocidade da luz cai num arco-seno: . É sempre assim. Por isso essa questão vive no cluster de matemática: matemática não tem nada a ver com número, tem a ver com entender o processo. Quem acha que decorou física apanha da matemática por trás.
O que é o arco seno (arc sen)Como atacar uma questão difícil do ITA?
Se você quer o método, não só o gabarito, a estratégia que resolve qualquer questão-desafio do ITA cabe em três movimentos.
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01
Conta equações contra incógnitas
Quando resolvi a questão dos três cilindros do ITA 2013, cheguei num ponto com cinco equações e seis incógnitas. Pare e faça a análise: o que você tem de equação e quantas incógnitas você tem? Sempre que sobra incógnita, falta uma condição física que você ainda não usou.
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02
Procura a condição física escondida
Naquela questão dos cilindros, a condição era o caso-limite: na aceleração mínima, o contato entre dois cilindros vai a zero. Na questão do atleta, foi a simetria entregando o 45°. É quase sempre uma simetria ou um caso-limite.
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03
Quando travar, troca de referencial ou de caminho
Dá pra resolver a mesma questão de duas formas distintas, cada uma explora uma parte diferente da sua inteligência. Mudar de referencial troca o problema complicado pela versão simples: é muito mais fácil um problema em que um cara tá parado e só o outro se move.
E o principal: não decora. Entende de onde vem cada passo, porque no ITA a banca muda o número e a fórmula decorada não te salva.
Quais outras questões difíceis do ITA existem?
Essa não foi a única. Tudo começou assim: fiz um vídeo aqui uma vez de um inscrito que mandou, cara, resolve essa questão que é a mais difícil do ITA. Resolvi, e as pessoas foram mandando mais, essa aqui é muito mais difícil, essa aqui é muito mais difícil. Virou uma série de questões-desafio do ITA e do IME, cada uma um monstro diferente, com uma ferramenta matemática diferente por baixo.
Tem a das leis de Newton com três cilindros idênticos (ITA 2013), a da distância mínima entre helicóptero e avião resolvida por mudança de referencial (ITA 2013), a do efeito Doppler relativístico numa prova nível satanás (ITA 2014) e a do efeito Terrell, um objeto que parece girar perto da velocidade da luz (ITA 2019).
Escolhe a tua próxima pedreira na tabela abaixo:
| Questão (ano) | Tema de física | Ferramenta matemática | Assistir |
|---|---|---|---|
| ITA 2004, atleta entre paredes | Equilíbrio + atrito estático | Trigonometria (45°) + Pitágoras das forças | Você está aqui ↑ |
| ITA 2013, três cilindros | Leis de Newton (2ª e 3ª) | Triângulo equilátero + condições-limite | Assistir ↗ |
| ITA 2013, helicóptero e avião | Cinemática (distância mínima) | Função do 2º grau ( do vértice) | Assistir ↗ |
| ITA 2014, binário de estrelas | Efeito Doppler relativístico | Aproximação + gravitação como centrípeta | Assistir ↗ |
| ITA 2019, placa relativística | Efeito Terrell (relatividade) | Geometria + arco-seno () | Assistir ↗ |
FAQ: dúvidas sobre a questão do ITA
Qual é exatamente a questão mais difícil do ITA?
A que abriu a série é uma questão de mecânica do ITA 2004: um atleta se mantém suspenso em equilíbrio empurrando as mãos contra duas paredes verticais perpendiculares entre si, e a banca pede o módulo mínimo da força que ele faz em cada parede, dados a massa e o coeficiente de atrito . Não existe uma única mais difícil, na real, virou uma série, com questões do ITA 2013, 2014 e 2019 também.
Por que o ângulo da questão é 45°?
Porque as duas paredes são perpendiculares, fazem 90° entre si, e o corpo do atleta é simétrico em relação ao canto. Como já tenho 90°, por simetria cada componente fica exatamente no meio: 45°. Esse ângulo não é chute, ele sai direto da figura. E é ele que faz a conta fechar, porque no 45° o seno é igual ao cosseno e as componentes normal e de atrito ficam iguais.
Essa questão é de física ou de matemática?
As duas ao mesmo tempo, e é aí que mora a treta. O problema é físico, equilíbrio, atrito, mas quem entrega a resposta é a matemática: trigonometria do 45°, Pitágoras das forças, e em outras questões da série, função do segundo grau e arco-seno. Por isso ela vive no cluster de matemática. Matemática não tem nada a ver com número, tem a ver com entender o processo.
A prova do ITA é muito mais difícil que o ENEM?
É, sim. O ITA é o vestibular de engenharia mais duro do Brasil, e a prova de exatas cobra física e matemática num nível que o ENEM não chega perto, a prova de 2014 foi tão dura que nem o capeta fez 100%. Mas isso não quer dizer que você é incapaz. Quer dizer que é outro patamar de treino. Se você vem do ENEM, dá pra entender a questão do ITA com calma, um passo de cada vez.
Como eu estudo pra resolver questões assim?
O caminho é entender, não decorar. Parte do fenômeno, monta as forças, conta equações contra incógnitas e resolve a mesma questão por mais de um caminho. Se você mira ITA ou IME e quer estrutura, é o que eu ensino em Lições de Física e em Lições de Cálculo, do fenômeno à fórmula, com prova-modelo resolvida passo a passo.
Existem outras questões difíceis do ITA resolvidas?
Existem, e essa é só a primeira. A série tem a questão das leis de Newton com três cilindros (ITA 2013), a da distância mínima entre helicóptero e avião (ITA 2013), a do efeito Doppler relativístico (ITA 2014) e a do efeito Terrell (ITA 2019). Cada uma tá resolvida e comentada, é só seguir pela tabela da série ali em cima.
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Matemática
O índice completo: aritmética, álgebra e geometria, cada tópico no seu lugar.
Álgebra
Funções, logaritmos, matrizes e progressões, com a mesma lógica de construir.
Ângulos notáveis
De onde vêm os valores de 30°, 45° e 60°, sem decorar tabela.
Arco cosseno
A inversa do cosseno: o intervalo de 0° a 180° e como calcular.
Arco seno
A inversa do seno: o intervalo de −90° a 90° e os exemplos resolvidos.