O que é uma pirâmide?

A pirâmide é um poliedro de base poligonal com um único vértice fora do plano da base, ligado a ela por faces triangulares. Na prova, ela se resume a duas contas: a área total, At=Ab+ALA_t = A_b + A_L, e o volume, V=13AbhV = \tfrac{1}{3}\,A_b \cdot h.

A diferença pro prisma é logo essa. O prisma tem duas bases; a pirâmide tem uma só, com um vértice do outro lado. E repara num detalhe que resolve meia questão sozinho: o número de faces laterais é sempre igual ao número de lados da base.

Aqui a gente parte do sólido, não da fórmula. Primeiro você enxerga a pirâmide e nomeia base, vértice e altura; a conta vem depois, como consequência. Nesta página eu deduzo de onde sai o 13\tfrac{1}{3} do volume, trato a pirâmide regular com os dois apótemas por Pitágoras e resolvo questão de ENEM e vestibular passo a passo, com a fórmula em texto de verdade, que dá pra copiar, não numa imagem.

13\tfrac{1}{3} é o número que resolve, ou detona, a maioria das questões: o volume da pirâmide é sempre um terço do prisma de mesma base e mesma altura.

Quais são os elementos da pirâmide?

Toda pirâmide se descreve com cinco elementos, e você precisa saber apontar cada um no desenho antes de calcular qualquer coisa:

/01 · Elemento

Base

O polígono que apoia o sólido.

/02 · Elemento

Vértice

O ponto fora do plano da base onde as faces laterais se encontram.

/03 · Elemento

Altura (h)

A distância do vértice ao plano da base, medida na perpendicular.

/04 · Elemento

Arestas

As da base e as laterais, que sobem do contorno da base até o vértice.

/05 · Elemento

Apótema

Aparece em duas versões, o da base e o da pirâmide, quando a base é regular.

É por isso que a figura vem junto: nome sem desenho não gruda. E olha um padrão que ajuda a contar sem errar: o número de arestas da base é igual ao número de faces laterais. Numa pirâmide de base quadrada são quatro faces; numa de base triangular, três.

Quais são os tipos de pirâmide?

Os tipos de pirâmide saem de duas perguntas simples: qual é o polígono da base e onde o vértice se posiciona.

Pela base, o nome acompanha o número de lados, e com ele o número de faces laterais:

Tipo (pela base)Nº de faces lateraisPolígono da base
Triangular (tetraedro)3triângulo
Quadrangular4quadrilátero
Pentagonal5pentágono
Hexagonal6hexágono

A triangular ganha um nome especial, tetraedro, quando todas as quatro faces são triângulos.

Pela inclinação, a história é outra: a pirâmide é reta quando a projeção do vértice cai bem no centro da base, e oblíqua quando o vértice está deslocado pro lado. E tem o caso que a prova adora: a pirâmide regular, que é reta e ainda tem base num polígono regular, com todas as arestas laterais iguais.

Como calcular a área da pirâmide?

A área total da pirâmide é At=Ab+ALA_t = A_b + A_L: você soma a área da base com a área lateral. A área lateral ALA_L é a soma das áreas de todas as faces triangulares.

Área total
At=Ab+AL A_t = A_b + A_L

AbA_b é a área da base (depende do polígono) e ALA_L é a soma das faces triangulares laterais.

O que muda de questão pra questão é a base. Se a base é um quadrado, você calcula a área como quadrado; se é um hexágono, como hexágono; se é um triângulo, como triângulo. Esse é o pulo do gato: a fórmula do todo é sempre a mesma, o que muda é só como você acha cada pedaço.

Na pirâmide regular dá pra ir além. Cada face lateral é um triângulo isósceles de base igual ao lado do polígono e altura igual ao apótema da pirâmide. Some as faces e a área lateral vira uma conta só: perímetro da base vezes apótema da pirâmide, dividido por dois. E aqui a fórmula sai em texto de verdade, do jeito que dá pra selecionar e copiar, não numa imagem travada.

Na pirâmide regular: a área lateral é AL=pm2A_L = \dfrac{p \cdot m}{2}, o perímetro da base pp vezes o apótema da pirâmide mm, dividido por dois.

Como calcular o volume da pirâmide?

O volume da pirâmide é um terço do prisma de mesma base e altura: V=13AbhV = \tfrac{1}{3}\,A_b \cdot h. Em vez de decorar, guarda a ideia: é o mesmo AbhA_b \cdot h do prisma, só que dividido por três: área da base vezes altura, sobre três.

No vídeo desta página, essa fórmula aparece resolvendo um caso concreto: um tanque em forma de pirâmide reta de base quadrada, achando a altura da coluna de líquido a partir do volume. E fica o alerta do erro que mais derruba na prova: esquecer o 13\tfrac{1}{3} e calcular, sem querer, o volume do prisma.

Volume da pirâmide: V=13AbhV = \tfrac{1}{3}\,A_b \cdot h. Área da base vezes altura, dividido por três.

Por que o volume é 1/3?

O fator 13\tfrac{1}{3} não é mágica nem coisa pra decorar: ele aparece porque três pirâmides de mesma base e mesma altura preenchem exatamente um prisma. Eu não faço questão que você decore isso: faço questão que você veja o encaixe.

Dedução Três pirâmides preenchem um prisma

Pensa comigo. Pega um prisma de base triangular e corta: dá pra dividir ele em três pirâmides de volumes iguais. Se o prisma inteiro vale AbhA_b \cdot h, cada uma dessas pirâmides vale um terço disso.

V=13Abh V = \tfrac{1}{3}\,A_b \cdot h

Daí sai, direto, a fórmula do volume da pirâmide.

E o mais bonito é que essa lógica não é só da pirâmide. O cone está para a pirâmide assim como o cilindro está para o prisma: todo sólido que termina em ponta vale um terço do sólido reto de mesma base e altura. Entender esse 13\tfrac{1}{3} é o que separa quem monta a conta em qualquer variação que a prova invente de quem só decorou e trava assim que a questão muda de cara.

O que é pirâmide regular?

A pirâmide regular é uma pirâmide reta cuja base é um polígono regular, com todas as arestas laterais iguais. É nela que moram os dois apótemas que mais confundem na prova.

O apótema da base fica no chão: é a distância do centro da base até o meio de um lado, no plano da base. O apótema da pirâmide sobe pela lateral: é a altura de uma face, do vértice até o meio da aresta da base. Trocar um pelo outro é a pegadinha que mais derruba na pirâmide regular.

Os dois se ligam à altura hh por um triângulo retângulo. Pra enxergar a perpendicularidade, imagina que o chão é a palma da sua mão aberta e você finca uma estaca bem no centro, a 90 graus: essa estaca é a altura, que sai reta do plano e fica perpendicular a toda reta da base. Nesse triângulo, a hipotenusa é o apótema da pirâmide e vale H2=h2+a2H^2 = h^2 + a^2, onde aa é o apótema da base. É essa relação que a EsPCEx e a FUVEST gostam de cobrar.

Pitágoras na pirâmide regular
H2=h2+a2 H^2 = h^2 + a^2

HH é o apótema da pirâmide (a hipotenusa), hh é a altura e aa é o apótema da base.

Não confunda os dois apótemas. O da base fica no chão; o da pirâmide sobe pela face. Trocar um pelo outro é o erro que mais derruba na EsPCEx.

O que é tronco de pirâmide?

O tronco de pirâmide é o que sobra quando você corta uma pirâmide por um plano paralelo à base e joga fora a ponta. Fica um sólido com duas bases paralelas, de tamanhos diferentes.

Antes de sair caçando fórmula, olha a família toda junta: o cone está para a pirâmide assim como o cilindro está para o prisma, os sólidos que terminam em ponta valem um terço do sólido reto de mesma base e altura.

Cone Cilindro

Pra achar o volume do tronco, o jeito mais limpo é por diferença: você calcula a pirâmide inteira e subtrai a pontinha que cortou, usando semelhança pra descobrir a altura dessa ponta. Se preferir fórmula pronta, o volume do tronco é a altura do tronco sobre três, multiplicando a soma das duas áreas de base com a raiz do produto delas. Mas eu prefiro o caminho por diferença de pirâmides semelhantes: ensina mais e erra menos.

Volume do tronco
V=h3(A1+A2+A1A2) V = \dfrac{h}{3}\left(A_1 + A_2 + \sqrt{A_1 \cdot A_2}\right)

A1A_1 e A2A_2 são as áreas das duas bases paralelas e hh é a altura do tronco. Ainda assim, prefira o caminho por diferença de pirâmides semelhantes.

Quais erros evitar em pirâmide?

Três erros respondem pela maioria das questões de pirâmide perdidas na prova, e todos são evitáveis:

  1. 01

    Confundir os dois apótemas

    Um está no chão (apótema da base), o outro sobe pela face (apótema da pirâmide). Quando o enunciado te dá "o apótema", confira sempre qual dos dois antes de jogar na conta.

  2. 02

    Esquecer o 1/3 no volume

    Quem calcula AbhA_b \cdot h e para por aí achou o volume do prisma, não o da pirâmide, e erra por um fator de três.

  3. 03

    Trocar a área da base pela lateral

    Na área total, a base é o polígono que apoia o sólido; a lateral é a soma dos triângulos. Somar a coisa errada estraga o At=Ab+ALA_t = A_b + A_L.

Antes de fechar qualquer conta, faz três perguntas rápidas: qual apótema o enunciado deu, o 13\tfrac{1}{3} está na fórmula do volume, e a área que eu usei é a da base ou a da lateral? Passou pelas três, pode marcar.

Exercícios resolvidos de pirâmide

Aqui você resolve pirâmide de verdade: questões de ENEM e vestibular montadas passo a passo, com a fórmula em texto e o raciocínio à mostra, não só o enunciado com alternativas escondendo a conta. A bateria segue três frentes:

1. O tanque, no ENEM. Uma pirâmide reta de base quadrada em que você acha o volume a partir da área da base e da altura, e vê o 13\tfrac{1}{3} entrando na prática.

2. A pirâmide da 2ª fase da FUVEST. Uma luminária no vértice de uma pirâmide regular inscrita num cubo, resolvida com Pitágoras pra achar aresta e altura. E olha só: essa 2ª fase veio numa das provas mais fáceis da FUVEST em muitos anos, então é um ótimo ponto de partida.

3. O tronco, pela caneca. Volume por diferença de pirâmides semelhantes, sem depender de decorar a fórmula do tronco.

Cada resolução deixa claro onde entra o 13\tfrac{1}{3}, qual apótema usar e como escolher a área da base conforme o polígono.

Assistir: UN resolve a FUVEST (2ª fase)

Perguntas frequentes sobre pirâmide

Qual a diferença entre o apótema da base e o apótema da pirâmide?

O apótema da base fica no chão: é a distância do centro da base até o meio de um lado, no plano da base. O apótema da pirâmide sobe pela lateral: é a altura de uma face, do vértice até o meio da aresta da base. Os dois se conectam à altura hh por um triângulo retângulo, o mesmo do H2=h2+a2H^2 = h^2 + a^2. Confundir um com o outro é o erro clássico da pirâmide regular, e é o que mais derruba na EsPCEx.

Qual a diferença entre pirâmide reta e pirâmide oblíqua?

A pirâmide é reta quando a projeção do vértice cai no centro da base, com a altura passando bem por esse centro. É oblíqua quando o vértice está deslocado e a altura não bate no centro. Toda pirâmide regular é reta, mas nem toda pirâmide reta é regular: pra ser regular, a base ainda precisa ser um polígono regular, com todas as arestas laterais iguais.

Por que o volume da pirâmide é 1/3 do prisma?

Porque três pirâmides de mesma base e mesma altura preenchem exatamente um prisma. Se o prisma inteiro vale AbhA_b \cdot h, cada pirâmide vale um terço disso: V=13AbhV = \tfrac{1}{3}\,A_b \cdot h. A mesma ideia liga o cone à pirâmide como o cilindro liga ao prisma: todo sólido de ponta é um terço do reto correspondente. Entender esse encaixe rende muito mais do que decorar o fator.

Como escolho a fórmula da área da base?

Pela figura da base. Se for um quadrado, calcula como quadrado (lado2\text{lado}^2); se for um triângulo, como triângulo; se for um hexágono regular, usa a fórmula do hexágono. A fórmula da área total, At=Ab+ALA_t = A_b + A_L, é sempre a mesma: o que muda é só como você acha o AbA_b conforme o polígono.

Qual a diferença entre pirâmide e prisma?

O prisma tem duas bases iguais e paralelas, ligadas por faces retangulares; a pirâmide tem uma base só e um vértice do outro lado, com faces triangulares. E o volume denuncia a diferença: o do prisma é AbhA_b \cdot h, o da pirâmide é um terço disso, V=13AbhV = \tfrac{1}{3}\,A_b \cdot h. É exatamente por isso que esquecer o 13\tfrac{1}{3} troca uma pela outra na conta.

Continue aprendendo: Geometria espacial