Qual é a energia total de um corpo em órbita?

Para um corpo de massa m orbitando um corpo de massa M, com semieixo maior a:

Energia orbital total
E=GMm2a

Negativa, indicando corpo ligado. Depende só do semieixo maior — não da excentricidade da órbita.

Relação entre as energias (virial)
Ec=E=Ep2Ep=2Ec

A energia potencial é sempre o dobro da cinética, em módulo, e negativa. Essa relação é o teorema do virial.

Atualizado em ago/2026. Quem te mostra isso é o Universo Narrado, com mais de 1 milhão de inscritos no YouTube. Esta fórmula leva o selo Demonstrável: foi provada a partir do que já estava estabelecido — a pergunta certa é "como chegamos aqui?" Esta é uma das equações já classificadas nos volumes publicados do Guia de Fórmulas Explicadas.

O que significa cada símbolo?

Repara que só o semieixo maior entra — a forma da elipse não importa para a energia:

SímboloO que éUnidade / observação
Eenergia mecânica total da órbitajoule (J)
asemieixo maior (em órbita circular, o raio)metro (m)
M,mmassas do corpo central e do satélitequilograma (kg)

De onde vem a fórmula?

A pergunta é: de onde vem? De somar as duas energias que você já conhece, no caso circular — e o resultado se estende para elipses trocando r por a.

A energia potencial gravitacional vale Ep=GMm/r. Para a cinética, use a velocidade orbital: v2=GM/r, o que dá Ec=12m(GM/r)=GMm/2r.

Somando as duas, a cinética cancela metade da potencial:

Dedução · somando cinética e potencial
E=GMm2rEc+(GMmr)Ep=GMm2r

O resultado é metade da potencial, e negativo. Para órbitas elípticas, basta trocar r pelo semieixo maior a.

A relação Ec=Ep/2 é o teorema do virial aplicado à gravitação, e vale muito além de satélites: ele descreve aglomerados de estrelas, galáxias e nuvens de gás. Foi usando o virial que Fritz Zwicky, em 1933, notou que galáxias em aglomerados se moviam rápido demais para a massa visível — a primeira evidência de matéria escura. Agora o paradoxo. Você pode estar pensando: “se o satélite perde energia por atrito com a atmosfera residual, ele deveria desacelerar, certo?” Errado. Perder energia significa E ficar mais negativo, o que pela fórmula exige um a menor — a órbita decai, o satélite desce. Mas a velocidade orbital é v=GM/r, que aumenta quando r diminui. Resultado: o satélite perde energia e ganha velocidade. A explicação está na contabilidade completa: ele perde bastante energia potencial ao descer, um pouco vai para o atrito, e o restante vira energia cinética. A conta fecha porque a potencial cai duas vezes mais rápido do que a cinética sobe. Esse é o motivo de estações espaciais precisarem de reboost periódico, e de a reentrada descontrolada ser tão violenta. Selo Demonstrável.

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Quando usar (e quando não)?

Use para calcular a energia necessária em transferências de órbita, avaliar o custo de missões e resolver problemas de decaimento orbital.

Para elevar um satélite de uma órbita a outra, a energia necessária é a diferença entre as duas: ΔE=GMm2(1a11a2).

O sinal importa: energia NEGATIVA significa corpo ligado (em órbita), ZERO é o limite do escape e POSITIVA significa que o corpo vai embora. Um satélite com energia positiva não está mais em órbita.

Exemplo resolvido

Antes de calcular, prevê: a energia total tem que ser negativa (a ISS está ligada à Terra) e igual em módulo à energia cinética dela. Vamos conferir as duas coisas:

🪖 IntermediárioA energia da Estação Espacial

A ISS tem massa de 420 toneladas e orbita a 6.771 km do centro da Terra. Calcule sua energia cinética, potencial e total. (GM = 3,986×10¹⁴)

  1. Ec=GMm2r=3,986×10144,2×10526,771×1061,24×1013 J.
  2. Ep=GMmr2,47×1013 J — exatamente o dobro, negativo.
  3. E=Ec+Ep1,24×1013 J.
  4. Confere pela fórmula: GMm2a1,24×1013
Ec12,4 TJ · Ep24,7 TJ · E12,4 TJ

Verificação: as duas verificações do virial fecharam: a potencial é o dobro da cinética em módulo, e a energia total é exatamente o negativo da cinética ✓. Os 12,4 terajoules equivalem a cerca de 3 mil toneladas de TNT — a energia que precisaria ser fornecida para arrancar a ISS de vez do campo terrestre. E se ela caísse 100 km, para r = 6.671 km? A energia total ficaria mais negativa, mas a velocidade orbital subiria de 7,67 para 7,73 km/s. O paradoxo em números.

Quais os erros mais comuns?

  1. 01

    Achar que perder energia desacelera o satélite

    Perder energia reduz o raio da órbita, e órbitas mais baixas são mais rápidas. O satélite perde energia e ganha velocidade.

    Como evitar: a energia total cai, mas a cinética sobe — a potencial é que despenca.
  2. 02

    Confundir energia total com energia cinética

    A total é negativa e vale GMm/2a; a cinética é positiva e vale +GMm/2a. Elas têm o mesmo módulo e sinais opostos.

    Como evitar: pelo virial: E=Ec. Se a sua resposta for positiva, você calculou a cinética.
  3. 03

    Usar o raio em vez do semieixo maior em elipses

    Em órbita elíptica, a fórmula usa o semieixo maior a. Só na circular é que a coincide com o raio.

    Como evitar: identifique a forma da órbita antes de substituir.

FAQ: perguntas sobre a energia orbital total

Qual é a energia total de um corpo em órbita?

E=GMm/2a, onde a é o semieixo maior. Ela é negativa, indicando que o corpo está gravitacionalmente ligado.

Por que a energia orbital é negativa?

Porque o zero de energia potencial está no infinito. Energia negativa significa que o corpo está preso — seria preciso fornecer energia para libertá-lo.

Qual a relação entre energia cinética e potencial numa órbita?

A potencial é o dobro da cinética em módulo e negativa: Ep=2Ec. É o teorema do virial.

Por que frear um satélite o faz acelerar?

Porque perder energia reduz o raio da órbita, e órbitas mais baixas exigem velocidades maiores. Ele perde energia total mas ganha energia cinética.

Por que a Estação Espacial precisa de reboost?

Porque o atrito com a atmosfera residual retira energia continuamente, fazendo a órbita decair. Sem correções periódicas, ela acabaria reentrando.

A energia depende da excentricidade da órbita?

Não. Ela depende apenas do semieixo maior. Duas órbitas de mesmo a e formatos diferentes têm exatamente a mesma energia.

Como calcular a energia para mudar de órbita?

Pela diferença entre as energias: ΔE=GMm2(1a11a2).

O que o teorema do virial tem a ver com matéria escura?

Foi aplicando-o a aglomerados de galáxias que Fritz Zwicky, em 1933, percebeu que elas se moviam rápido demais para a massa visível — a primeira evidência de matéria escura.

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