O que é uma equação logarítmica?
Uma equação logarítmica é toda equação que tem pelo menos um logaritmo com a incógnita dentro, no logaritmando, na base, ou nos dois, como em , e resolver uma é, no fundo, desfazer esse logaritmo com a operação inversa até libertar o e deixá-lo sozinho de um lado da igualdade.
Numa equação assim o está preso lá dentro do log. A sacada é inverter a operação até ele sair sozinho, e o logaritmo é exatamente a ferramenta que anula uma exponenciação.
E é por aqui que eu quero começar com você, porque a matemática não tem a ver com saber quanto é o log de dois terços. A matemática tem a ver com entender esses processos que a gente tá construindo juntos. É ter o traquejo, toda essa artimanha de manipular as coisas e conseguir extrair das equações um resultado que você precisa.
Nesta página a gente constrói isso do zero. Começa pelo caso mais simples, o log igualado a um número; passa pelo de logs dos dois lados; mostra por que você tem que testar cada raiz na condição de existência, que é onde quase todo mundo perde ponto; e sobe até os casos pesados de substituição e mudança de base, que caem em prova militar. Tudo em fórmula de verdade, legível, nunca queimado numa imagem.
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Se você ainda quer firmar o que é o logaritmo antes de resolver equações, vale revisar o conceito na raiz primeiro:
O que é logaritmo: o conceito do zeroPor que o logaritmo resolve a equação?
Existe uma coisa muito importante na hora de resolver a equação, que é você ter a manha de fazer uma operação que anula uma outra operação para você conseguir fazer manipulações.
Pensa comigo num caso bobo: . Se tem um sendo somado, eu vou fazer o inverso de somar, que é subtrair, para anular isso, subtraio dos dois lados e o fica livre. Tem um multiplicando? O inverso de multiplicar é dividir. Tem uma raiz quadrada? O que eu inverto da radiciação é a potenciação, então elevo ao quadrado.
Agora chega no caso que importa aqui: o está num expoente, preso por uma exponenciação. Qual é a operação que desfaz pegar um número e levar a um expoente? É o logaritmo, ele existe exatamente para ser o inverso da exponenciação.
A régua das operações inversas. Somar ↔ subtrair, multiplicar ↔ dividir, potenciar ↔ radiciar e, no caso que interessa aqui, exponenciar ↔ logaritmar. Cada operação tem a sua inversa, e resolver é só aplicar a inversa certa para soltar o .
Quando eu tiro o log dos dois lados, uma propriedade derruba o expoente para a frente como multiplicação, e aí o que estava lá em cima desce e eu consigo isolar. É essa a mágica que destrava toda equação logarítmica: você não decora um truque, você inverte a operação que prendeu a incógnita.
Caso 1: logaritmo igual a constante
O caso mais comum de equação logarítmica é o logaritmo igualado a um número: . E a saída é direta, você volta para a definição de logaritmo, que diz , e transforma a equação logarítmica numa exponencial.
É essa equivalência que transforma qualquer log igualado a um número numa exponencial, e é a chave de toda equação logarítmica.
Olha um exemplo: . Pela definição, isso quer dizer elevado a é igual a , ou seja, , e aí é álgebra de criança: . Pronto.
Repara que o que eu fiz foi só desfazer o log usando a operação inversa, elevei a base ao que estava do outro lado. E olha, nosso objetivo aqui não é resolver as três. É ficar mais inteligente, entender o que está por trás de alguns passos na matemática.
Não esqueça de testar a raiz. Depois de achar o , falta um passo que ninguém pode pular: voltar na equação original e conferir se o logaritmando () é positivo. É, então vale. Esse é o esqueleto de quase toda equação logarítmica de prova: reconhece o tipo, vira exponencial, isola, testa a raiz.
Caso 2: logs dos dois lados
Quando a equação tem um logaritmo de cada lado, na mesma base, , você pode simplesmente cortar os logs e igualar os logaritmandos: . Faz sentido, porque se dois logaritmos de mesma base são iguais, os números lá dentro têm que ser iguais.
Exemplo: vira , e daí .
Só corta quando há só log dos dois lados. Tem um alerta que derruba muita gente, e eu quero que você grave: você só pode cortar os logs quando tem somente log dos dois lados, sem nada somando ou multiplicando junto. Se aparecer algo como , não dá para sair cortando, primeiro você junta os dois logs num só usando a propriedade do produto () e cai no Caso 1.
Cortar log com soma do lado é o erro clássico. E, como sempre, depois de achar a raiz, volta e testa na condição de existência.
Por que verificar a condição de existência?
A condição de existência não é um detalhe chato que o professor manda conferir por garantia: ela é o que separa uma raiz de verdade de uma raiz estranha.
Pensa comigo, o logaritmo só existe para número positivo: não dá para perguntar elevado a quanto dá , porque potência de base positiva nunca vira negativa. Então, antes de existir a equação, já existe a restrição: todo logaritmando tem que ser maior que zero, e toda base maior que zero e diferente de .
A restrição que vem antes da equação: logaritmando ; base e . Tudo o que você resolver depois tem que viver dentro dessas duas regras, fora delas, o log nem existe.
Quando você resolve a parte algébrica e encontra uma raiz, ela passou no teste da conta, mas a conta não sabe que aquele talvez jogue um logaritmando para o negativo, onde o log nem existe. Aí está a raiz estranha: a álgebra aceita, o logaritmo recusa.
Por isso o passo final é inegociável: pega cada raiz, substitui na equação original e confere se todo logaritmando ficou positivo. A que violar a restrição você descarta, não porque a conta errou, mas porque ela mora fora do mundo onde o logaritmo faz sentido.
Quando a equação vira 2º grau?
Tem equação logarítmica que, depois de você desfazer o log, vira uma equação do segundo grau, e é aí que muita gente trava. Acontece de dois jeitos.
Um: a incógnita aparece no logaritmando de um produto, tipo , que vira , ou seja , e você resolve por Bhaskara achando e .
Dois: a incógnita está na base, tipo , que pela definição vira , dando e .
E aqui a condição de existência faz um trabalho pesado. Em , o joga o logaritmando para negativo, então é raiz estranha e cai fora. Em , a base tem que ser positiva e diferente de , então é descartado e só sobrevive.
| Equação | Vira 2º grau | Raízes (Bhaskara) | Sobrevive à condição de existência |
|---|---|---|---|
| e | só ( deixa logaritmando negativo) | ||
| (incógnita na base) | e | só (base tem que ser positiva e ) | |
| e | só ( deixa negativo) |
Não é a conta que escolhe a raiz boa, é a restrição do logaritmo. Por isso resolver o 2º grau é só metade do serviço; a outra metade é testar cada raiz.
Substituição de variável e mudança de base
Os casos que os portais empurram para uma parte II são justamente os que caem em prova militar, e aqui eles ganham resolução completa.
O primeiro é a equação que tem o logaritmo ao quadrado, tipo . O truque é enxergar que se repete e dar um nome a ele: chama . A equação vira , um segundo grau limpo, que por Bhaskara dá e . Aí você volta a substituição: significa , e significa (base omitida). Duas soluções, as duas com logaritmando positivo, valem.
Dê um nome ao log que se repete. Sempre que o mesmo aparece duas vezes, chamar transforma um bicho de sete cabeças num segundo grau comum. Resolve em , depois desfaz a troca.
O segundo caso pesado é quando os logaritmos estão em bases diferentes e não dá para comparar nada: você usa a mudança de base, , para deixar tudo na mesma base e só então resolver.
Escolhe uma base qualquer (em geral ou ), reescreve todos os logs nessa base e só então compara ou corta.
A régua não muda, você desfaz o log, isola, testa a raiz. O que muda é a manobra algébrica para chegar lá. É esse rigor de resolver até o fim, sem mandar para outra página, que separa quem mira ITA e IME.
Como o log cai no Enem?
No Enem, a equação logarítmica quase nunca chega nua, ela vem disfarçada de pH, terremoto na escala Richter, intensidade sonora em decibéis ou decaimento.
O pulo do gato é reconhecer o disfarce: sempre que o enunciado relaciona uma grandeza que cresce multiplicando (energia que dobra, concentração que cai pela metade) com uma escala que cresce somando, tem um logaritmo no meio, e montar a equação é só escrever essa relação e isolar o que a questão pede.
Foi exatamente isso na prova de 2025. A questão dava a pressão num cano como e pedia o maior valor de que respeitasse a condição de a pressão não passar de atm. Muita gente achou que a questão seria anulada, não foi. Essa questão não será anulada e acabou. O gabarito é letra A e eu vou te mostrar porquê: uma questão pode ser anulada por não ter gabarito ou por o enunciado estar ambíguo, mas a questão ser difícil e a maioria das pessoas terem errado não é motivo para anulação.
O checklist do log disfarçado: identifica o logaritmo escondido → monta a equação a partir da relação do enunciado → desfaz o log → isola o que a questão pede → confere se a raiz faz sentido no contexto (pressão e concentração não podem ser negativas).
Era uma equação logarítmica aplicada, e quem entendeu que ali dentro tinha um log a ser invertido resolveu numa boa. A leitura certa é que você quer aumentar o K de modo que a pressão máxima não ultrapasse o valor de 10. A régua é a mesma de sempre: identifica o logaritmo escondido, monta a equação, desfaz o log, isola, e, porque é problema real, confere se a raiz faz sentido no contexto, porque pressão não pode ser negativa e concentração também não.
Eu resolvi essa questão inteira em vídeo, mostrando passo a passo por que ela não seria anulada: Não, a questão do LOG não será ANULADA! Enem 2025.
Equação logarítmica é igual à exponencial?
Equação logarítmica e equação exponencial são a mesma história contada de dois lados: numa o está no expoente, na outra ele está dentro do log, e a ponte entre as duas é justamente o logaritmo, que inverte a exponenciação.
Olha como isso aparece na prática quando você resolve uma exponencial difícil: . O está preso no expoente e não tem base comum que salve. Então está aqui, eu tinha aqui 2 terços elevado a x igual a 3, tirei o logaritmo dos dois lados.
Existe uma propriedade logaritmo que fala que esse expoente aqui cai, ou seja, o log de A elevado a X é igual a, esse X, ele cai e fica multiplicando. Com o lá embaixo virando multiplicação, é só dividir e isolar: . Pronto, resolvi uma equação exponencial usando uma equação logarítmica.
É essa propriedade que faz o descer do expoente, a ponte exata entre a equação exponencial e a logarítmica.
É a mesma régua: para soltar o do expoente, aplico a operação inversa da exponenciação. Entender essa ponte é o que faz você nunca mais ver os dois temas como assuntos separados que precisa decorar em caixinhas diferentes.
Quais os erros mais comuns?
A maioria dos erros em equação logarítmica não é de conta, é de pular um cuidado.
- 01
Cortar os logs com soma ou produto junto
Você só pode igualar os logaritmandos quando tem só log dos dois lados; se tem , junta primeiro num só.
- 02
Esquecer de testar a raiz na condição de existência
Entregar uma raiz estranha como resposta é o erro que mais custa ponto, a álgebra aceita, o logaritmo recusa.
- 03
Confundir com
O log do produto é a soma dos logs, , nunca o produto.
- 04
Trocar a base no caminho
Não dá para mudar a base de um log sem usar a fórmula de mudança de base.
- 05
Esquecer que a base também tem restrição
A base de um logaritmo tem que ser positiva e diferente de , isso descarta raiz tanto quanto o logaritmando.
A regra geral para não cair em nenhum: depois de isolar o , sempre volte na equação original e confira o domínio. A conta não mente, mas ela também não conhece o domínio do logaritmo; quem conhece é você.
Exercícios de equações logarítmicas resolvidos
Conceito sem treino não fixa, então aqui vão equações logarítmicas reais de prova resolvidas passo a passo, de vestibular, Enem e banca militar, que é onde o tema cai pesado.
Resolva .
- Condição de existência: .
- Pela definição, vira , ou seja .
- Isola: .
- Testa: . Passou.
Reconheci o tipo, virei exponencial, isolei e testei a raiz, o esqueleto que se repete em quase toda equação logarítmica de prova.
Resolva .
- Condição de existência: e .
- Junta os logs pela propriedade do produto: .
- Vira exponencial: .
- Bhaskara: e .
- Testa o domínio: passa (); viola, é raiz estranha.
Repara que sem o teste final você entregaria junto, e é exatamente aí que mora a perda de ponto.
Resolva (base ).
- Chama : a equação vira .
- Bhaskara em : e .
- Desfaz a troca: ; .
- Testa: e são positivos, logaritmando válido nos dois.
Quando há mais de um caminho para a mesma questão eu mostro os dois, porque entender o problema vale mais do que decorar um truque de prova.
FAQ: dúvidas sobre equações logarítmicas
O que é uma equação logarítmica?
Equação logarítmica é toda equação que tem pelo menos um logaritmo com a incógnita dentro, no logaritmando, na base, ou nos dois. Resolver uma é, no fundo, desfazer o logaritmo com a operação inversa (a exponenciação) até o sair sozinho de um lado. Por exemplo, é uma equação logarítmica porque o está preso dentro do log.
Como resolver uma equação logarítmica passo a passo?
Primeiro você identifica o tipo: se é log igualado a um número, transforma na forma exponencial () e isola a incógnita; se tem log de mesma base nos dois lados, corta os logs e iguala os logaritmandos. Depois de achar a raiz, sempre volte na equação original e teste se cada logaritmando ficou positivo, esse passo final não é opcional.
Por que tenho que verificar a condição de existência?
Porque o logaritmo só existe para logaritmando maior que zero e base positiva diferente de . Quando você resolve a parte algébrica, pode achar uma raiz que satisfaz a conta mas joga um logaritmando para o negativo, onde o log nem existe, é a chamada raiz estranha. A álgebra aceita, o logaritmo recusa; por isso você testa cada raiz e descarta a que violar a restrição.
Quando posso "cortar" os logaritmos dos dois lados?
Só quando há somente log dos dois lados, na mesma base, sem nada somando ou multiplicando junto: aí vira . Se aparecer uma soma de logs, tipo , você não pode cortar, junta primeiro os dois logs num só pela propriedade do produto e cai no caso do log igualado a uma constante.
O que é uma raiz estranha numa equação logarítmica?
É uma raiz que aparece na resolução algébrica e satisfaz a equação na conta, mas que não vale porque cai fora do domínio do logaritmo, por exemplo, deixa um logaritmando negativo ou uma base inválida. Ela não é erro de cálculo: é uma solução que a álgebra produz e a condição de existência descarta. Por isso o teste final existe.
Equação logarítmica e exponencial são a mesma coisa?
São as duas faces da mesma moeda: numa o está no expoente, na outra ele está dentro do log, e a ponte entre as duas é o logaritmo, que inverte a exponenciação. Tanto que para resolver uma exponencial difícil como você tira o log dos dois lados, o expoente cai virando multiplicação () e isola: .
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Logaritmo
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