O que é o modelo de Bohr?
O modelo atômico de Bohr é o primeiro modelo do átomo construído sobre a física quântica. Bohr, num lance de craque, lançou primeiro o modelo quântico em 1913. Ele postulou que são possíveis apenas algumas órbitas e, consequentemente, alguns valores de energia para o elétron no átomo. Ele não pode estar em qualquer lugar, só em níveis fixos.
Antes dele, o átomo de Rutherford era um sisteminha planetário com um furo na física clássica. Bohr tapou esse furo dizendo que a natureza escolhe alguns valores de energia e proíbe outros.
A régua aqui é a mesma do resto do meu trabalho: a gente parte do fenômeno e deixa a fórmula aparecer. Do espectro que se observa no laboratório até a conta dos níveis de energia, eu te mostro de onde cada coisa vem, pra você entender, não decorar.
1913, o primeiro modelo quântico do átomo. É a data em que o elétron deixou de poder estar em qualquer lugar e passou a viver só em níveis fixos de energia.
Por que o elétron não cai no núcleo?
O elétron não cai no núcleo porque Bohr criou órbitas estáveis onde ele não irradia. E sem irradiar, ele não perde energia.
O problema vinha do modelo planetário de Rutherford, que estava em conflito com a física clássica e também não contemplava a física quântica. O elétron girando em torno do núcleo deveria emitir radiação, o que o faria perder energia até colidir com o núcleo. Pela física clássica, toda carga acelerada irradia, então o elétron espiralaria pra dentro numa fração de segundo, e o átomo simplesmente não existiria.
A sacada de Bohr foi postular que existem órbitas onde isso não acontece: nelas o elétron não emite nem absorve radiação, então fica estável.
Repara num detalhe que confunde muita gente: não é o movimento que faz o elétron irradiar na física clássica, é a aceleração dele na órbita. Bohr resolve isso no peito, dizendo que nessas órbitas especiais a regra clássica não vale.
O furo que Bohr tapou. Pela física clássica, o átomo de Rutherford colapsaria em frações de segundo. Bohr não explicou por que certas órbitas não irradiam, ele postulou que não irradiam, e deixou o porquê pra depois.
Quais são os postulados de Bohr?
Bohr postulou que o elétron ocuparia no átomo órbitas estacionárias em que ele não emite nem absorve radiação. Essa é a ideia-mãe do modelo, e tudo o mais sai dela.
Pensa comigo numa escada. Em vez de o elétron poder estar em qualquer altura, como um carro subindo uma rampa, ele só pode estar em degraus fixos: está num degrau ou no outro, nunca no meio. Cada degrau é um nível de energia permitido; entre eles, proibido. O átomo seria essa região em que a energia é quantizada. Estranha a natureza escolher alguns valores de energia e proibir outros, mas é isso que o espectro dos elementos obriga a aceitar.
Os postulados, em ordem:
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01
Órbitas estacionárias estáveis
O elétron ocupa órbitas em que não emite nem absorve radiação, então não perde energia e não cai no núcleo.
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02
Energia quantizada
Só alguns valores de energia são permitidos, os tais degraus da escada, nunca o espaço entre eles.
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03
Transição com troca de luz
O elétron só muda de nível saltando de uma órbita pra outra, e nesse salto ele emite ou absorve um fóton.
7 camadas, K, L, M, N, O, P, Q. São os nomes das camadas de níveis de energia que organizam a eletrosfera; cada uma é um conjunto de degraus permitidos da escada de Bohr.
Por que cada elemento tem sua cor?
Cada elemento tem uma cor de assinatura por causa do jeito como o elétron muda de nível. Ele somente o faria em saltos quânticos, em que o elétron simplesmente some de uma órbita e aparece na outra, podendo emitir e absorver fóton. Um salto, um fóton.
E a cor desse fóton depende do tamanho do salto. Como os níveis de energia são diferentes em cada átomo, os saltos possíveis são diferentes, e a luz que sai tem cores específicas.
Isso não é detalhe pequeno. A importante descoberta dos espectros descontínuos dos elementos, uma espécie de identificação dos átomos, se deu em 1824. Com esse modelo de átomo nada dizia a respeito desses fenômenos, o de Rutherford, quer dizer. O de Bohr explica: cada elemento tem o seu padrão de cores porque tem o seu próprio conjunto de níveis.
É assim, inclusive, que a química descobre do que o Sol é feito sem ninguém ir até lá, lendo a assinatura de cores que cada elemento emite.
1824, a descoberta dos espectros descontínuos. Cada elemento mostrou um padrão próprio de linhas de cor, uma identificação. Bohr foi quem deu o porquê físico desse fenômeno quase um século depois.
Qual é a matemática do modelo de Bohr?
Aqui é onde a página inteira fecha: a gente sai da analogia e mostra a conta.
A matemática começa numa imposição de Bohr, o momento angular do elétron é múltiplo inteiro de :
O momento angular só pode ser múltiplo inteiro de . Esse n inteiro é o que rotula cada órbita permitida.
Calculando os níveis de energia vemos que a distância entre eles diminui e eles se fundem num contínuo, permitindo que o elétron tenha qualquer valor de energia. O átomo seria essa região em que a energia é quantizada. Para o hidrogênio, o nível de energia fica:
A energia é negativa porque o elétron está preso ao átomo, e fica mais negativa quanto mais perto do núcleo.
A diferença entre dois níveis dá a energia do fóton que sai no salto, e a fórmula de Rydberg fecha as linhas do hidrogênio:
Cada linha do espectro é um salto entre dois níveis n₁ e n₂: a fórmula transforma a conta dos degraus numa cor que você vê.
Memorizar isso aqui um primata faz. O que vale é entender que cada linha do espectro é a digital de um salto entre dois níveis. Quando você enxerga isso, a fórmula deixa de ser decoreba e vira consequência.
−13,6 eV, o nível fundamental do hidrogênio. É a energia do elétron no , o degrau mais fundo da escada. Toda linha do espectro do hidrogênio sai de um salto que envolve esse e outros níveis.
Como Bohr se encaixa na evolução atômica?
Bohr não caiu de paraquedas. Ele é um degrau numa escada de modelos que vai de Dalton ao quântico.
Em 1808, Dalton tratou o átomo como uma bolinha maciça, indivisível. Depois Thomson imaginou a massa positiva com elétrons levíssimos incrustados nela, parecendo, sei lá, um pudim com passas. Aí Rutherford, em 1911, bombardeou uma folha de ouro com partículas alfa, viu que algumas voltavam, e descobriu o núcleo, nasceu o modelo planetário. E Bohr, em 1913, quantizou as órbitas e fez o primeiro modelo quântico.
Cada um resolveu um problema do anterior e deixou outro em aberto. O de Bohr só vale bem pro hidrogênio, e é o modelo quântico de Schrödinger que vem depois fechar essa conta. A tabela abaixo mostra o que cada modelo explica e onde trava:
| Modelo | Ano | Ideia central | O que explica | Onde falha |
|---|---|---|---|---|
| Dalton | 1808 | Átomo é uma esfera maciça e indivisível | A composição da matéria em proporções fixas | Ignora qualquer estrutura interna do átomo |
| Thomson | 1904 | Elétrons incrustados numa massa positiva (pudim com passas) | A existência de cargas negativas no átomo | Não tem núcleo; não explica o espalhamento de Rutherford |
| Rutherford | 1911 | Núcleo central positivo, elétrons girando em volta | O núcleo denso e o átomo majoritariamente vazio | O elétron deveria espiralar e colidir com o núcleo |
| Bohr | 1913 | Órbitas quantizadas, energia em níveis fixos | A estabilidade do átomo e os espectros do hidrogênio | Só funciona bem para átomos de um único elétron |
| Quântico (Schrödinger) | 1926 | Elétron como onda de probabilidade, orbitais | Átomos com muitos elétrons, intensidade das linhas | Exige matemática bem mais pesada que a de Bohr |
Repara que Bohr é a primeira linha quântica da tabela, e a última falha, "só funciona bem para um elétron", é justamente o que explorar a física moderna vem resolver, com Schrödinger no comando.
Por que só certas órbitas são permitidas?
Só certas órbitas são permitidas porque o elétron é uma onda que precisa fechar certinho na volta. E isso quem mostrou foi De Broglie, não Bohr.
Com essa teoria, um grande enigma do modelo atômico de Bohr foi resolvido: por que apenas algumas órbitas seriam possíveis para o elétron? Porque, dentro do átomo, o elétron somente poderia existir enquanto uma onda estacionária. Em cada órbita, o elétron possui uma velocidade e um comprimento de onda.
Pensa numa corda de violão: só vibram os modos em que a onda fecha direitinho nas pontas. Com o elétron é igual. Os comprimentos das órbitas serão sempre múltiplos inteiros dos comprimentos de onda calculados para o elétron, por isso só algumas órbitas valem, são as que cabem um número inteiro de ondas.
E o comportamento dele é dual, ora homem, ora lobo. Mas nunca lobisomem, ora onda, ora partícula, nunca os dois ao mesmo tempo. É essa ideia que abre o caminho do modelo de Bohr para a mecânica quântica de Schrödinger.
Onde o modelo de Bohr falha?
O modelo de Bohr falha fora do hidrogênio. O primeiro modelo atômico a incorporar aspectos quânticos da teoria física foi o modelo atômico de Bohr para o átomo de hidrogênio, e a palavra-chave aí é hidrogênio.
As limitações, uma a uma:
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01
Só vale para um único elétron
Para o hidrogênio e hidrogenoides como He⁺ e Li²⁺ a conta bate. Com mais elétrons, eles se repelem e interagem entre si, e a conta simples dos níveis já não fecha.
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02
Não explica a intensidade das linhas espectrais
O modelo diz quais cores aparecem, mas não por que umas linhas são mais brilhantes que outras.
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03
Ignora a dualidade onda-partícula
Bohr impôs as órbitas, mas não explicou o porquê, foi De Broglie quem trouxe isso depois.
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04
Não explica as ligações químicas
O modelo descreve um átomo isolado, não como dois átomos se ligam.
1 elétron, o limite de validade do modelo de Bohr. Cada uma dessas falhas é exatamente o que o modelo quântico de Schrödinger vem resolver. Por isso eu te disse lá em cima: Bohr é um degrau, não o fim da escada.
Como Bohr explica neônio e laser?
Bohr explica neônio e laser porque o salto de elétron entre níveis é exatamente o que produz a luz. Cada salto emite um fóton de uma cor específica, e é esse mecanismo que está por trás de um monte de coisa que você encosta no dia a dia.
A lâmpada de neônio brilha naquele laranja-avermelhado porque os elétrons do neônio, ao saltarem de nível, emitem fótons nessas cores. É a cor de assinatura do elemento, o mesmo mecanismo de Bohr.
O laser e o LED são variações da mesma ideia:
Neônio: a cor de assinatura
Os elétrons do neônio saltam de nível e emitem fótons no laranja-avermelhado. É a mesma assinatura espectral do elemento, Bohr puro.
Saltos controlados
O laser usa saltos controlados entre dois níveis pra emitir luz toda da mesma cor. O LED usa saltos numa estrutura de níveis projetada pra dar a cor certa.
Análise espectral
Ela lê a assinatura de cores de uma estrela pra dizer do que ela é feita, sem ninguém ir até lá. Cada elemento tem o seu padrão de linhas.
E tem a análise espectral, que é talvez a mais doida: os astrônomos sabem a composição do Sol porque cada elemento tem o seu padrão de linhas. Bohr deu o porquê físico de tudo isso, cada cor é a digital de um salto entre dois níveis de energia.
Como cai modelo de Bohr na prova?
Modelo de Bohr cai na prova de três jeitos principais, e a maioria das pegadinhas mora num deles:
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01
A confusão Rutherford × Bohr
Qual é clássico, qual é quântico, o que cada um explica. É o erro de montagem mais comum.
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02
As transições de nível
Teste de chama, espectro, emissão de fóton. Cada cor é um salto entre dois níveis bem definidos.
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03
As limitações do modelo
Principalmente o fato de só valer pro hidrogênio. É a pegadinha que separa quem entendeu de quem decorou.
Aqui as questões reais de ENEM e vestibular sobre o modelo de Bohr vêm resolvidas passo a passo, abertas e sem paywall, incluindo a conta dos níveis de energia, não só a letra certa.
Em cada uma eu mostro o raciocínio: o que a questão está cobrando, qual postulado de Bohr resolve, e a conta quando ela aparece. Se a página inteira fez o seu trabalho, você chega aqui já sabendo onde estão as armadilhas. É o mesmo método das provas-modelo do meu curso de Física: do fenômeno à fórmula, com o passo a passo aberto.
Questões resolvidas de modelo de Bohr no ENEM e vestibularem breveFAQ sobre o modelo de Bohr
Por que o elétron não cai no núcleo no modelo de Bohr?
No modelo de Bohr o elétron não cai no núcleo porque ele ocupa órbitas estacionárias em que não emite radiação, e sem emitir, não perde energia, então não espirala pra dentro. No modelo planetário de Rutherford o elétron girando deveria irradiar e colidir com o núcleo numa fração de segundo; a sacada de Bohr foi proibir essa perda de energia em certas órbitas. Ver por que o elétron não cai no núcleo.
Qual a diferença entre o modelo de Rutherford e o de Bohr?
Rutherford (1911) propôs o átomo planetário: núcleo positivo no centro, elétrons girando em volta, mas pela física clássica esse átomo colapsaria. Bohr (1913) manteve o núcleo central e quantizou as órbitas: o elétron só pode estar em certos níveis de energia, e por isso fica estável. Bohr é o primeiro modelo quântico; Rutherford ainda é clássico. Ver a evolução dos modelos atômicos.
Por que o modelo de Bohr só funciona para o hidrogênio?
O modelo de Bohr só funciona bem para o hidrogênio porque Bohr deduziu os níveis de energia para um átomo com um único elétron (vale também pra hidrogenoides como He⁺). Quando há mais elétrons, eles se repelem e interagem entre si, e a conta simples dos níveis deixa de bater. Por isso o modelo é exato pro hidrogênio e só aproximado pra átomos maiores, uma das pegadinhas mais comuns de prova. Ver onde o modelo de Bohr falha.
O que são estados estacionários no modelo de Bohr?
Estados estacionários são as órbitas permitidas em que o elétron tem energia bem definida e não emite nem absorve radiação, fica estável energeticamente. O elétron só troca energia quando salta de um estado estacionário pra outro, emitindo ou absorvendo um fóton. Entre dois estados estacionários não existe meio-termo: a energia é quantizada. Ver os postulados de Bohr.
Por que cada elemento tem uma cor diferente no teste de chama?
Cada elemento tem uma cor diferente no teste de chama porque tem seus próprios níveis de energia, então os saltos possíveis dos elétrons são diferentes, e cada salto emite um fóton de cor específica. A combinação dessas cores é a assinatura do elemento: sódio dá amarelo, cobre dá verde-azulado. É o mesmo mecanismo que deixa a análise espectral descobrir do que uma estrela é feita sem ninguém ir até lá. Ver por que cada elemento tem sua cor.
Quem foi Niels Bohr e quando propôs o modelo?
Niels Bohr foi um físico dinamarquês que, em 1913, propôs o primeiro modelo atômico construído sobre a física quântica. Ele aprimorou o modelo planetário de Rutherford postulando órbitas quantizadas, só alguns valores de energia são permitidos. Foi o lance de craque que resolveu o problema da estabilidade do átomo e abriu caminho para a mecânica quântica de Schrödinger. Ver o que é o modelo de Bohr.